Vai acabar a quarentena. E agora?

Com o vislumbre do final da quarentena, há um relaxamento natural e progressivo das medidas de isolamento social. Em paralelo, a previsão é de que o retorno às aulas presenciais ocorra apenas em agosto, ainda que escalonado (a definir).
Sendo assim, como flexibilizar, com segurança, saídas e passeios para as crianças? Com o retorno dos pais ao trabalho, com quem deixar as crianças em casa?
Os cuidados com a higiene e a etiqueta respiratória adotados durante o período de quarentena continuam valendo: lavagem das mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos (ou, se não for possível, uso de álcool em gel), manter a casa ventilada, tirar os sapatos ao entrar em casa, uso de lenços descartáveis para higiene nasal, cobrir o rosto ao tossir ou espirrar, etc.

Cuidados necessários nos passeios

Em relação aos passeios, os cuidados devem começar mesmo antes de sair de casa. Crianças acima de dois anos devem usar máscaras, desde que não haja contraindicações (ver quadro abaixo). Deve-se conversar com a criança sobre a importância da máscara e dos cuidados com seu uso antes de sair de casa. Importante que qualquer pessoa sintomática não saia de casa, a não ser que seja para atendimento médico.
No caso de uso de elevadores, atender ao cuidado de entrar somente se vazio. Evitar que crianças toquem paredes, botões e portas e todos devem higienizar as mãos ao saírem do elevador, pois pode haver contágio através do toque em superfícies contaminadas. Atenção redobrada ao uso de aparelhos celulares enquanto estiverem fora de casa: eles devem ser mantidos higienizados.
Passeios ao ar livre, parques e praças são sempre bem-vindos. Escolher locais onde o distanciamento social seja possível, evitando sempre aglomerações. No momento, não se recomenda que crianças brinquem com outras de famílias diferentes.
Parquinhos e playgrounds não são indicados, tanto por ser impossível manter os cuidados com as superfícies, quanto por geralmente estarem mais cheios, impossibilitando o distanciamento social.
Manter lactentes e pré-escolares no carrinho (ou cangurus) pode ser uma boa maneira de criar um espaço seguro enquanto passeiam.
O uso de piscinas é possível, desde que o distanciamento social seja respeitado, uma vez que não há evidência de contágio através de água tratada.

A volta dos pais ao trabalho

Algumas famílias terão a necessidade da presença de funcionários em casa para que possam retornar ao trabalho, já que creches e escolas ainda não estarão funcionando.
Para diminuir os riscos, tanto para os funcionários quanto para as famílias, é aconselhável o uso de máscaras, além de roupas e calçados separados para uso domiciliar e fora dele. Objetos pessoais como carteiras, bolsas, chaves e celulares devem estar guardados em um local específico. Outra medida para aumentar a segurança nesse processo seria planejar turnos alternativos, que propiciem aos funcionários evitar o transporte público nos horários de maior aglomeração. Havendo a possibilidade, considerar o uso de transporte individual alternativo, como aplicativos de transporte ou táxi.
Haverá um período de adaptação na retomada das atividades, inclusive na questão de sociabilização da criança, seja com amigos ou com familiares. Os cuidados no contato com os avós devem ser mantidos e, caso a opção seja visitá-los, as medidas de distanciamento social e o uso de máscaras devem ser reforçados. Os adolescentes devem ser orientados a manter o autocuidado mesmo quando seu grupo tiver conduta diferente da preconizada pela família.
Importante que a decisões sejam feitas com cautela e segurança. Dessa maneira, protegemos nossas crianças, nossas famílias e, consequentemente, nossa comunidade.

USO DE MÁSCARAS

  • Deve ser usada durante todo o período fora de casa, respeitando os protocolos de higiene e distanciamento social.
  • Uso indicado para maiores de dois anos, sendo que de dois a cinco anos o uso correto dependerá da maturidade de cada criança.
  • Cuidado individualizado no uso em crianças portadoras de deficiências.
  • Não utilizar em crianças com dificuldade respiratória.
  • A máscara caseira deve ser feita com três camadas de tecido, sendo a camada exterior impermeável e a camada próxima ao rosto de tecido tipo algodão.
  • Deve cobrir boca e nariz e estar ajustada ao rosto.
  • Trocar a máscara a cada duas horas e sempre que molhar ou sujar.
  • Lavar a máscara após uso.

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Relatores:    
Dra. Luciana Issa
Dra. Regina Sílvia Costa Carnaúba
Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo


Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.


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