Recomendações médicas aos pais e cuidadores sobre coronavírus e a Covid-19

O coronavírus de 2019 (Sars-CoV-2) é o vírus causador da doença (Covid-19) que se alastrou pelo mundo causando uma pandemia.

Pode infectar crianças e causar uma variedade de manifestações clínicas, desde a ausência de sintomas, síndrome gripal leve (semelhante a outras gripes) até, em menor número, quadros mais graves que necessitem de internação hospitalar, inclusive em UTI.

A transmissão acontece quando um indivíduo saudável entra em contato com o vírus, através de gotículas respiratórias de uma pessoa infectada ou colocando a mão em superfícies que contenham o vírus e levando a mão a alguma mucosa, como boca, nariz ou olhos. Por enquanto, não há evidências de que o vírus seja transmitido via placentária (de mãe infectada para o feto), nem pelo leite materno, não sendo aconselhável a suspensão do aleitamento materno caso a mãe esteja com Covid-19. Nesse caso, a mãe deve lavar sempre bem as mãos antes de ter contato com o bebê e amamentar usando máscara.

O período de incubação (tempo decorrido entre a infecção e as manifestações clínicas) é de 5 a 7 dias, mas pode se estender por até 14 dias.

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Quadro clínico

Os principais sintomas são: febre, tosse seca ou com catarro, dor de garganta e coriza. Podem também ocorrer falta de ar, fadiga, falta de apetite, dor no corpo, dor de cabeça e sintomas gastrointestinais, como diarreia, náusea e vômitos. Alguns casos podem não manifestar febre. Lesões de pele como rash cutâneo e alteração nas extremidades de dedos por dificuldade na circulação local também são descritas.

Quando procurar atendimento hospitalar

Quando a criança apresentar febre alta, respiração ofegante e acelerada, lábios arroxeados, palidez, gemência, dificuldade ou incapacidade para mamar ou beber líquidos, fala entrecortada (dificuldade em dizer frases inteiras) os pais devem buscar um pronto atendimento pediátrico. 

Diagnóstico

A confirmação diagnóstica é feita através de testes que verificam a presença do vírus no organismo e testes que detectam anticorpos, seguindo as recomendações de coleta pelo Ministério da Saúde.

A tomografia de tórax deve ser ponderada caso a caso, ficando restrita aos casos de maior gravidade e preferencialmente utilizando protocolos de baixa radiação.

Tratamento

O tratamento é de suporte: higiene nasal com soro fisiológico, ingestão de água, sintomáticos para febre e dor, usando preferencialmente paracetamol e dipirona (se possível evitar anti-inflamatórios não hormonais). Medicamentos com corticoide devem ser receitados somente com a prescrição do pediatra da criança. Evitar inalações e nebulizações, pois estas podem aumentar a dispersão local do vírus, contaminando mais pessoas.

Crianças com doenças crônicas

Nesses casos, os cuidados devem ser redobrados, pois fazem parte do grupo de risco para manifestações mais graves da Covid-19.

Por isso, é fundamental manter distanciamento e isolamento social. Não é recomendado compartilhar brinquedos ou outros objetos com outras pessoas e deve-se evitar aglomeração de crianças, mesmo em locais abertos.

É importante manter o uso de medicações de uso contínuo, inclusive as que contenham corticoide inalatório (“bombinhas”), indicadas para asma. Lembre-se que o espaçador é de uso individual e não deve ser compartilhado entre pacientes.

Vacinas: manter a rotina de vacinação, inclusive para gripe.

Prevenção: deve-se higienizar as mãos com álcool 70% em gel, ou água e sabão. Para outras superfícies e calçados pode ser utilizada água sanitária diluída (25ml do produto em 1 litro de água).

Uso de máscaras

Máscaras cirúrgicas: recomendadas para sintomáticos respiratórios, ou seja, para aqueles com quadro gripal – tosse, espirros, falta de ar. Elas devem ser usadas por um período máximo de duas horas e não podem ser reutilizadas.

Máscaras artesanais para a população em geral: em situações de exposição a maior número de pessoas como em transporte coletivo, idas ao mercado e à feira, deve-se lavar as mãos com água e sabão, ou higienizá-las com álcool 70%, antes e após o uso. Tais máscaras deverão ser descartadas ou rigorosamente lavadas depois de utilizadas. Lembrando que essas máscaras não têm poder de contenção de partículas pequenas como o vírus, mas ainda são uma barreira a ele e seu uso não exclui a adoção de outras medidas de prevenção como: higiene rigorosa e periódica das mãos, não tocar o rosto e o isolamento social.

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Relatora:
Dra. Maria Cristina Iacomussi Reganin
Revisores: Dra. Marina Buarque de Almeida, Dra. Lenisa S. M. Bolonetti, Dr. Alfonso Eduardo Alvarez
Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo


Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.


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