Meu bebê nasceu prematuro e vai receber alta. O que preciso saber?

O momento da alta de um bebê prematuro é acompanhado de sentimentos muito intensos e diversos por parte dos pais e familiares. Alegria, alívio, ansiedade, medo, cansaço são emoções frequentes para os pais dos bebês prematuros muito pequenos, que podem ter ficado internados por um tempo muito longo, 3 a 4 meses, ou até mais. É também um momento de muitas dúvidas.

A proximidade e o vínculo entre a família e a equipe cuidadora (neonatologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, e outros profissionais), construídos no dia a dia, facilita a programação da alta, que começa a ser organizada com bastante antecedência.

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São muitos os critérios para a alta de um prematuro, e uma família segura e preparada para levar seu bebê para casa é um deles, sendo tão importante quanto alcançar um peso mínimo seguro, por exemplo.

É muito interessante o que acontece com as famílias no decorrer da internação: elas vão, gradualmente, aprendendo a entender a complexidade dos cuidados de uma UTI Neonatal, recebem notícias boas, notícias ruins e continuam caminhando com a equipe. Dessa forma, seguem mais confiantes diante de tantos acontecimentos durante toda a internação. Até que chega o momento em que já participam dos cuidados de seus bebês, recebendo treinamentos diários pela equipe cuidadora, tudo já fazendo parte do preparo para a alta hospitalar.

Com a compreensão de que há critérios muito claros para a alta segura, os pais e toda família aprendem e entendem que todo o cuidado precisa continuar após a alta, e sua importância nesse processo, juntamente com a equipe de profissionais.

Estamos, então, no momento do Seguimento do Prematuro, que acontecerá nos consultórios ou ambulatórios de Pediatria, sob os cuidados do pediatra/neonatologista capacitado para este cuidado tão específico, que requer, obrigatoriamente, protocolos de acompanhamento, equipes multiprofissionais, exames laboratoriais e/ou de imagem.

Os bebês que nascem prematuros, especialmente os menores que 35 semanas e aqueles com peso inferior a 2500g, irão precisar de seguimento com atenção no seu crescimento e desenvolvimento; no calendário de vacinação. Já os menores que 1500g e/ ou <32 semanas precisarão ainda de avaliação especializada como:

– Oftalmologista infantil, para acompanhamento do desenvolvimento da visão, mesmo para os bebês que não tiveram a retinopatia da prematuridade como complicação;
– Fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional, para ajudar nos marcos do desenvolvimento e atuar nos atrasos quando presentes;
– Fonoaudiólogo especialista em audição e linguagem para acompanhar o desenvolvimento da fala, intervindo se for o caso;
– Psicólogo, para o cuidado às famílias, bem como para realizar avaliações específicas do neurodesenvolvimento.
Outros especialistas poderão ser necessários dependendo das complicações que o bebê apresentou durante a internação.

Então, a nossa resposta para a pergunta que abre esse texto é:

“É fundamental que a família saiba que o acompanhamento do seu bebê pós alta é tão importante quanto foi a sua internação na UTI e que esse seguimento rigoroso, com pediatra capacitado e tantos outros profissionais, poderá fazer toda a diferença na qualidade de vida do seu bebê”.  

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Relatora:
Juliana Bottino Navarro 
Departamento Cientifico de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo


Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.


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