Gravidez sem álcool é uma gravidez mais segura

Um dos diagnósticos mais graves e o mais prevenível entre as doenças congênitas (que o bebê apresenta desde que nasce) é a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF).

E recentemente, fiquei assustado quando gestantes, algumas inclusive da área de saúde, têm comentado que seus obstetras “ainda bem” não são tão rigorosos e “permitem, sem risco nenhum”, um pouquinho de bebida alcoólica, uma vez por semana.

Cena de novela (Segundo Sol) que foi ao ar em outubro de 2018, em que uma gestante ingeria uma grande quantidade de álcool, gerou notas de repúdio da SBP, da SPSP e da Febrasgo.

bruna | pixabay.com

Oi? Como assim?

Existe uma campanha chamada Gravidez sem Álcool, apoiada por entidades como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (Sogesp), o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) entre outras, com respaldo de entidades internacionais como a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Academia Americana de Pediatria (AAP).

Em 2017, foi publicada a segunda edição do livro Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido, coordenado pela Dra. Conceição Aparecida de Mattos Segre, para atualizar os médicos de todo o Brasil sobre as informações mais recentes sobre a SAF.

Na tentativa de sensibilizar a população a respeito da gravidade da situação, além das entidades, muitos artistas, esportistas e empresas também apoiam a campanha, que conta com folhetos, site e vídeos, que abordam os principais pontos relacionados com a SAF. Assistam, clicando nos links abaixo:
O que é a SAF?
O que causa a SAF?
Como o bebê é atingido?
Diagnóstico da SAF
Prevenção da SAF

É importante que todos saibam:
ÁLCOOL PODE PROVOCAR SAF
NÃO EXISTE QUANTIDADE DE ÁLCOOL SEGURA NA GESTAÇÃO

No Brasil, segundo as estatísticas, 1 em cada 1.000 crianças que nascem apresenta a SAF. Não há qualquer comprovação de uma quantidade segura de bebida alcoólica que proteja a criança de qualquer risco e nem todas as crianças, cujas mães ingeriram álcool em qualquer quantidade durante a gestação, vão apresentar SAF (mas aumenta os riscos).

Estudos científicos comprovam que o bebê que nasce com SAF tem risco de apresentar alterações na face e em órgãos do corpo, podem nascer com peso abaixo do normal e ter retardo mental. São comuns problemas de aprendizagem, memória, fala, audição, atenção e alterações de comportamento, que se mostram principalmente na idade escolar, e no relacionamento com outras pessoas.

O único recurso disponível e eficaz é prevenir, sem nenhum consumo de álcool pela mulher grávida e pela mulher que está tentando engravidar. Com essas medidas, a SAF e seus efeitos são evitados em 100% dos casos.

É importante tanto os profissionais de saúde que acompanham gestantes, quanto as próprias gestantes e suas famílias compreenderem a gravidade do quadro e não “liberarem” o consumo social ou moderado de qualquer tipo de bebida alcoólica em qualquer quantidade, por menor que ela seja.

Sempre vale ressaltar:
A SAF NÃO TEM CURA
SUAS CONSEQUÊNCIAS SÃO PARA A VIDA TODA
ELA É TOTALMENTE PREVENÍVEL

E a recomendação mais clara e simples:
ÁLCOOL ZERO DURANTE TODA A GESTAÇÃO!

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Dr. Yechiel Moises Chencinski
Coordenador do Blog Pediatra Orienta para a Voz do Blog

Publicado em 7/08/2019


Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.


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