Dicas práticas para uma alimentação saudável durante a quarentena

Devido à pandemia da Covid-19, as crianças têm permanecido em casa por mais tempo, condição que é uma oportunidade para pais, cuidadores e ensino escolar à distância de incentivá-las a terem um maior contato com os alimentos, visando a formação e manutenção de bons hábitos.

A criança pode participar do processo da elaboração das refeições, desde a higienização até o preparo final – atividades que podem ser realizadas por diferentes faixas etárias, sob a coordenação de um adulto e que incentivam práticas alimentares mais saudáveis.

Esse momento é propício para estimular e incentivar o maior consumo de verduras, legumes, frutas, cereais (arroz, milho, trigo), leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico, ervilha). Além disso, é preciso evitar o consumo de alimentos de alta densidade calórica e baixo valor nutricional, ricos em sal, açúcar e gordura, como os refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados e algumas “comidas prontas” ou enviadas por delivery.

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A família deve proporcionar às crianças as primeiras experiências com os alimentos, que podem ser decisivas para uma aceitação variada e para adquirir hábitos saudáveis em médio e longo prazo.

O ambiente onde a criança vive e o estímulo que lhe é dado para se relacionar com os alimentos – variedade de sabores, cores e texturas, manipulação e preparo – é que vão determinar sua autonomia em relação às escolhas mais adequadas.

Algumas orientações práticas

Antes de iniciar o preparo, cuidados com a higiene alimentar:

  • antes de realizar as refeições e/ou manipular os alimentos, lavar as mãos com água e sabão. Quando não houver essa possibilidade, utilizar álcool gel a 70%;
  • para alimentos que serão consumidos crus, como os vegetais folhosos e frutas, a recomendação é remover as folhas externas ou danificadas, separar uma a uma, lavá-las com água tratada abundante e deixá-las em imersão, por 15 minutos, em uma solução de água sanitária (uma colher de sopa diluída em um litro de água), lavando-as depois com água tratada corrente novamente.

Dicas para alimentação saudável:

  • incentivar o consumo de frutas, verduras e legumes, cereais, tubérculos, leguminosas, carnes, ovos e leite;
  • hidratar-se adequadamente: aumentar o consumo de água;
  • quando possível, permitir e ajudar a criança a montar o seu prato de forma atrativa e colorida com diferentes tipos de alimentos;
  • comer com regularidade em horários estabelecidos e com atenção, isto é, devagar e saboreando os alimentos e preparações;
  • comer com calma em horários e ambiente apropriados em conjunto com os demais membros da família, isento de distrações;
  • evitar realizar refeições na presença de telinhas (ou telões!), como televisão, computador, celular, tablet;
  • evitar lanchinhos ou beliscar entre as refeições.

Como incentivar crianças e adolescentes a uma alimentação saudável:

  • dar o exemplo e servir de modelo: os pais devem consumir os mesmos alimentos oferecidos às crianças;
  • disponibilizar frutas, verduras e legumes nas refeições junto aos alimentos preferidos, tornando-os acessíveis (lavados, descascados, picados e conservados em geladeira quando perecíveis);
  • fazer receitas simples com a participação das crianças, como saladas de verduras, legumes e de frutas. Essa interação é importante para estimular o contato, principalmente, com novos alimentos;
  • oferecer o mesmo alimento em diferentes formas de preparação e apresentação (ex: cenoura – adicionar a bolos, sucos, arroz, omelete, molhos. Oferecer ralada, fatiada, cozida, crua, etc);
  • compreender que, por vezes, a criança pode estar sem fome ou indisposta para comer;
  • oferecer água com frequência e evitar bebidas açucaradas;
  • limitar a oferta de alimentos industrializados como biscoitos, sorvetes, carnes processadas (hambúrguer, salsicha, etc), salgadinhos.

O que não deve ser feito:

  • obrigar ou forçar a criança a comer, o que pode gerar conflitos;
  • “chantagear” a criança. Exemplo: “se comer todo o legume, vai ganhar a sobremesa”;
  • substituir o alimento recusado por outro de preferência da criança;
  • desistir de oferecer o alimento após poucas tentativas;
  • substituir a refeição por pães, biscoitos, leite, em caso de inapetência;
  • obrigar o filho a terminar o prato quando ele não quer mais ou não permitir que ele repita algo, quando pede mais.

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Relator:
Dr. Rubens Feferbaum
Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Colaboração:
Nutricionistas Ana Paula Alves Reis, Adriana Servilha Gandolfo e Patrícia Zamberlan


Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.


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