Desmistificando a UTI Neonatal

Meu filho nasceu prematuro e foi para a UTI. E agora?

No Brasil, em 2017, 11% dos nascidos vivos foram prematuros e 1,4% dos recém-nascidos pesaram menos que 1.500 gramas. Alguns prematuros necessitam de cuidados especiais e, por isso, logo após o nascimento, são encaminhados para a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). Na UTIN, eles recebem todos os cuidados para tratar as doenças da prematuridade e, ao mesmo tempo, dar condições para o seu corpo continuar a se desenvolver.

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Quais são os cuidados que ele vai receber?

Na UTIN, os cuidados são dados aos bebês prematuros de acordo com a necessidade de cada um. Os bebês podem precisar de ajuda para respirar e por isso recebem oxigênio, que pode ser administrado de diversas maneiras. A pressão arterial do prematuro pode oscilar e pode ser necessário o uso de medicações.

Além disso, outros problemas que ele porventura apresente são rapidamente identificados e tratados. Ele faz alguns exames para detectar problemas no cérebro, nos olhos e na audição, que não são percebidos com o exame físico do bebê e que são tratados se necessário.

E como eu vou amamentar meu filho?

Os prematuros muito pequenos não conseguem se alimentar sozinhos. No início, eles podem receber a nutrição parenteral, que é administrada diretamente na veia, mas tão logo seja possível, começa-se a oferecer o leite materno da própria mãe, de preferência cru, ou se não for possível, o leite humano que é pasteurizado no Banco de Leite Humano. Assim, é muito importante, caso o bebê não consiga mamar, que se faça a extração do leite da mãe para que possa ser oferecido a ele, com orientação dos profissionais de enfermagem.

Como o prematuro muito pequeno não consegue coordenar a sucção, a respiração e a deglutição, o leite da mãe é oferecido por uma sonda que vai direto ao estômago. À medida que o bebê for crescendo, ele adquire essa capacidade. O fonoaudiólogo faz uma avaliação e diz quando é possível começar a oferecer o leite pela boca, direto do seio materno. Nos horários em que a mãe não estiver na UTIN, o leite é oferecido pelo copinho.

E quem vai cuidar do meu bebê?

A UTIN tem uma equipe multiprofissional, composta por pediatras, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e outros profissionais que trabalham de forma integrada para oferecer o melhor cuidado para cada bebê. Diariamente, os diferentes profissionais se reúnem para discutir cada paciente e definir, em conjunto, o que é melhor para ele em um cuidado individualizado.

O que é o cuidado individualizado?

O cuidado individualizado para o prematuro tem como objetivo ajudar o desenvolvimento do seu cérebro enquanto ele está na UTIN. O ambiente da UTIN apresenta vários estímulos visuais e auditivos que podem causar estresse ao bebê: os tratamentos necessários para salvar a sua vida podem causar desconforto e a separação do bebê de seus pais pode interferir na formação do vínculo entre eles.

Todos esses fatores podem dificultar o desenvolvimento do cérebro do prematuro, requerendo, dessa forma, um cuidado planejado. Cada procedimento deve ser adaptado de acordo com a sensibilidade de cada um. O cuidado individualizado baseia-se nas respostas comportamentais do bebê e é adaptado para que o prematuro se mantenha calmo e organizado a maior parte do tempo e, assim, seu cérebro se desenvolva.

E os pais podem participar do cuidado ao prematuro?

A participação dos pais no cuidado do bebê prematuro não só é possível, como também é recomendada. Ela traz muitos benefícios como, por exemplo, o fortalecimento do vínculo dos pais com o bebê. Para isso, é recomendado que os pais venham diariamente a UTIN e fiquem com o seu bebê o maior tempo possível. Com o passar dos dias, os pais se acostumam com o ambiente da UTIN, ficam menos estressados e passam a interagir cada vez mais com os profissionais que lá atuam, contribuindo para um melhor cuidado nesse primeiro lar do prematuro. Durante a internação, os pais vão conhecendo cada dia mais o seu filho e a melhor maneira de realizar os procedimentos com o bebê. Quando for possível, os pais passam a cuidar do bebê, trocando as fraldas, dando banho e alimentando, de forma que, ao chegar no momento da alta, eles estejam preparados para continuar com os cuidados ao seu filho no novo lar.

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Relatora:
Dra. Marina Carvalho de Moraes Barros
Departamento de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

março lilás

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