Coronavírus: como fica a relação de avós e netos?

Coisas inimagináveis e inaceitáveis até pouco tempo estão acontecendo atualmente. Quem iria pensar em evitar o contato entre avós e netos?

Ao contrário, essa é uma relação muito recomendada e necessária. Mas, como todos nós sabemos, o mundo enfrenta uma grande e generalizada infecção por um vírus – o coronavírus – com grande capacidade de transmissão.

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A pandemia Covid-19 exige a modificação do nosso comportamento e do nosso estilo de vida, uma vez que a transmissão pode ocorrer de pessoa para pessoa e, também, por contato da mão com superfícies onde o vírus pode sobreviver por um tempo que varia de minutos a horas. A doença pode atingir todos os grupos etários, de crianças a idosos. Todos os infectados, durante certo tempo, podem contaminar outras pessoas. A infecção resulta em quadros que podem ser assintomáticos (sem manifestação de doença), podem ter manifestações leves e casos graves, inclusive com risco de morte.

As crianças, até agora, estão no grupo de assintomáticos ou de casos leves. Os idosos são os principais membros dos casos graves. Dessa forma, durante esses tempos de pandemia, recomenda-se evitar o contato físico dos avós com os netos, uma vez que a criança – mesmo sem sintomas e aparentando boa saúde – pode transmitir o vírus para os avós (e estes, se infectados, também podem passar para os netos).

Todos nós precisamos explicar para cada um deles – com palavras de compreensão – essa orientação.

Amor maior

O pediatra recomenda nesse momento, até nova orientação, não haver contato direto dos netos (e outras crianças) com os avós. O pediatra, também avô ou avó (como é o meu caso), sabe a grande falta que eles, os netos, fazem. É difícil quebrar, mesmo que por um tempo, essa grande relação lúdica, de afeto, respeito, interação e formação, de grande significado para a vida dos netos e dos avós. Mas, compreendemos que, nesses tempos, essa é a recomendação a ser seguida, pela segurança da vida.

Entretanto, o sucesso dessa conduta não depende exclusivamente da concordância do afastamento físico, importante para evitar a doença, mas de uma compreensão mais aprofundada do que ele representa como valor inelutável para o futuro de toda a família. É certo que temos que encontrar nossa própria compreensão, nossa própria voz. Essa decisão deve representar nossa prova de amor maior.

A emoção de sermos avós, de sermos identificados pelos netos, repete e amplia a emoção que sentimos quando nos tornamos pais. Ela nos transmite um sentimento de amor, de responsabilidade, de cuidados, de desejos de felicidade e de proteção para os nossos netos. Seria desnecessário falar aqui da imensa saudade que todos nós, avós, teremos nesses dias. E que, no fundo do coração, em alguns momentos, poderemos sofrer dessa saudade. Mas, valerá a pena, teremos oportunidade de compensar tudo isso: a alegria voltará! Além do mais, quando possível, usaremos a imagem e o som da internet ou inventaremos outro meio indireto de contato.

Nenhuma distância conseguirá diminuir o amor recíproco de avós e netos. Afinal, nós, avós, temos uma imensa capacidade de amar e proteger.

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Relator:
Dr. José Hugo de Lins Pessoa
Ex-presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo (gestão 2007-2009)
Membro da Academia Brasileira de Pediatria


Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.


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