Como brincar e estimular as crianças?

A pandemia causada pelo novo coronavírus tirou todos da rotina sem aviso prévio e, assim, os pais se viram com a tarefa de preencher os sete dias da semana dos filhos por um período ainda indefinido de tempo!

E agora? O que fazer? Uma das dicas é estabelecer uma rotina e, se não fizeram isso ainda, uma sugestão é seguir um cronograma parecido com o que as crianças tinham antes de começar o confinamento. Essa programação pode ser pensada no dia a dia, para que tudo possa se encaixar.

E nada de ficar de pijama ou na cama sem fazer nada! Para levantar o moral, é bom que todos troquem de roupa, abram as janelas, deixem a casa ventilar, guardem e arrumem tudo, respeitando as idades das crianças.

O dia pode ser dividido em pequenos pedaços e iniciar pela rotina escolar, usando a agenda da escola como estrutura básica: horários das aulas, do recreio, de fazer a lição de casa, da atividade física e das refeições – café da manhã, almoço, jantar e lanches.

Os horários de lazer e de brincar não podem ser esquecidos – depois de mapear horários para alimentação e tarefas escolares, preencher o resto do dia com brincadeiras e não esquecer que, quando brinca, a criança está aprendendo também, imaginando, criando, construindo ou inventando.

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Um esquema que pode dar certo é o de disponibilizar blocos de 15 a 30 minutos (dependendo da idade e do desenvolvimento) de brincadeiras dedicadas à criança. Para as crianças pequenas – menores de três anos – brincar de forma independente é difícil, por precisarem de interação social. Como alternativas para manter as crianças paradas enquanto a mãe e/ou o pai digitam na sua própria tela, as crianças podem usar materiais de arte, livros gravados em áudio ou até gravações caseiras de seus pais lendo seus livros favoritos.

Algumas dicas: escolher os brinquedos mais simples e seguros (adequados para as idades de seus filhos); junto com as crianças, descartar os brinquedos não usados e quebrados; estimular o brincar independente dos adultos, mas com supervisão atenta; mudar de ambientes de uma brincadeira para outra. Tudo isso sempre pensando em segurança!

Algumas atividades supervisionadas: lavar os brinquedos de plástico, construir uma cidade (em uma caixa de papelão aberta, a criança desenha ruas, árvores e casas, adiciona carros, bonecas, bichos, blocos e outros brinquedos), pintar, brincar de esconder e encontrar (com brinquedos, papéis desenhados com formas, letras, números, palavras ou problemas de matemática) e jogos de tabuleiro.

No caso das crianças em idade escolar, muitas escolas estão mantendo contato com as famílias e seus alunos, enviando tarefas, atividades e sugestões de leitura. É importante aproveitar essas iniciativas e estabelecer um horário para fazer as lições e desenvolver as atividades (poderia ser o período dos “tempos normais” que a criança usava para preparar tudo para a escola no dia seguinte).

Este momento também é uma ótima oportunidade de aumentar a leitura, começando com períodos curtos (15 a 20 minutos) e fazendo revezamento: primeiro a mãe ou o pai lê em voz alta, depois o filho e um tempo de leitura silenciosa da família. Se a criança quiser prolongar o tempo da leitura, não se preocupar com a mudança na programação.

Outra atividade interessante é mostrar fotos, lembrar de fatos e acontecimentos em família, viagens e momentos de lazer, aproveitando para estimular a criança a contar histórias também, cujos personagens são parentes e amigos próximos.

Todos devem continuar se exercitando, isso ajuda a aliviar a frustração, o tédio e melhorar o humor: subir e descer escadas, fazer exercícios, montar pista de atividades (na sala ou no quintal), jogar bola (se houver local adequado, sem risco de quedas ou de quebrar coisas). Atividades outras, como uma sessão de ioga em família, um banho quente, ler ou jogar com seus filhos podem ajudar.

Uma rotina de tempo de tela precisa ser criada, mas sem exageros e com sabedoria. Os horários estarão definidos na agenda e a TV será desligada no tempo combinado. Não é bom que a TV fique ligada como ruído de fundo; se a casa estiver muito quieta, ajuda ouvir música suave em volume baixo. Fora do período combinado, abrir exceção para as telas apenas quando os adultos tiverem uma chamada ou conferência de trabalho inesperada, ou quando as crianças insistirem em ficar na cozinha no momento de preparo das refeições, o que é muito perigoso e não deve acontecer!

Crianças maiores e adolescentes que podem estranhar mais a perda de sua rotina habitual e podem sentir muita falta de seus pares, podem ser liberadas a ficar conectados aos amigos, de uma maneira saudável, em vez de sair de casa e colocar outras pessoas em risco.

Os pais que têm o desafio de manter seus filhos ocupados e sentindo-se produtivos, podem pedir ajuda nas tarefas diárias, como fazer a cama, colocar a roupa suja na lavanderia e ajudar na cozinha (no caso de crianças mais velhas).

Deve-se tentar ao máximo manter a normalidade possível para todos, principalmente as crianças, ajudando-as a sentir que o mundo não está desmoronando e que em breve tudo vai voltar ao normal e para que não pensem que nunca mais vão poder ver os amigos, voltar a praticar esportes ou voltar para a escola (embora, para alguns, não seja tão ruim não ter que voltar logo para a escola!).

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Relatora:
Renata D. Waksman
Coordenadora do blog Pediatra Orienta da SPSP
1ª Vice-presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo


Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.


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