Ventilação não invasiva em domicílio: orientações à família e cuidadores

A Atenção Domiciliar à Saúde é a provisão de serviços de saúde às pessoas em sua residência, ou em outro local não institucional. Entre os diversos serviços em casa, expandiu-se o suporte ventilatório, especialmente a Ventilação Não Invasiva com Pressão Positiva (VNI) de longa permanência.

A ventilação não invasiva é um modo de ventilação pulmonar, que mantém a criança em respiração espontânea, e não usa um tubo endotraqueal ou cânula de traqueostomia. Quando indicada, evita complicações associadas ao tubo endotraqueal, melhora o conforto do paciente, preserva os mecanismos de defesa das vias aéreas, preserva a linguagem e deglutição.

A utilização da VNI no domicílio deve ser avaliada pela equipe multidisciplinar, especialmente pelo médico e pelo fisioterapeuta, que considerarão a necessidade, riscos e benefícios para o seu filho, assim como providenciarão a orientação aos cuidadores e que toda a equipe esteja capacitada aos cuidados.

As principais indicações para a VNI domiciliar são obstruções das vias aéreas superiores associadas com falha respiratória, certas alterações musculares, distorsões da caixa torácica e alterações da regulação respiratória. Essas situações podem ocorrer, por exemplo, na síndrome da hipoventilação central congênita (também conhecida como síndrome de Ondine, enfermidade pouco frequente, com controle anormal da respiração, que é muito superficial durante o sono), doenças neurológicas (como a paralisia cerebral com comprometimento ventilatório), fibrose cística, mucoviscidose (doença genética que altera as secreções de certas glândulas do corpo e causa doença pulmonar crônica), pré e pós-operatório de cifoescoliose congênita (“desvios na coluna” intensos, que podem a comprometer a capacidade de expansão pulmonar), entre outras.

A família deverá estar ciente que a VNI é trabalhosa, requer acompanhamento com a equipe multidisciplinar, além do treinamento dos cuidadores. Os objetivos imediatos e de longo prazo da VNI devem ter sido previamente discutidos com a família antes da alta hospitalar, que deve ter consciência de que os resultados dependem de vários fatores e, especialmente, da causa que levou a criança a precisar da VNI.

É recomendado que a criança inicie a VNI em ambiente hospitalar, por no mínimo 48hs, quando deverá ocorrer a adaptação respiratória-hemodinâmica e psicológica do paciente, além do treinamento dos cuidadores. Entre as dificuldades mais frequentes estão as desconexões do circuito do aparelho e problemas na aceitação da interface pela criança (dispositivos para o fornecimento da VNI): máscaras faciais (nasal-oral), máscara de face total (full face) e prongas nasais.

Não é recomendada a VNI domiciliar em crianças menores de 4 meses e em situações com vômitos ou com abundante secreção respiratória. Também não é indicada se houver necessidade de VNI por mais de 16hs por dia e de aspirações em intervalos menores ou iguais a 1 hora. Na ausência de cuidador habilitado e não adaptação do paciente e/ou do cuidador, também não é recomendada a VNI, assim como em outras condições que devem ser avaliadas pela equipe multidisciplinar.

A VNI é realizada com grande frequência no ambiente domiciliar e, quando bem indicada e desenvolvida, contribuirá para o retorno e permanência da criança no carinho e segurança da família.

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Relator:
Fernando J. C. Lyra Filho
Departamento Científico de Cuidados Domiciliares da SPSP.

Publicado em 26/06/2015.
photo credit: PublicDomainPictures | pixabay.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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