Vacinação para adultos

dreamstime_xs_15255974A partir da criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) no Brasil, há quarenta anos, as coberturas vacinas obtidas na infância são extremamente elevadas, levando ao controle e erradicação de várias doenças como a varíola, poliomielite, rubéola, sarampo, meningites por Haemophilus, difteria entre várias outras. Um grande sucesso!

O número de vacinas disponíveis para os bebês sofreram um grande aumento, e hoje as crianças brasileiras têm um calendário completo e que poucos países disponibilizam gratuitamente, trazendo enorme impacto na saúde de nossa população e contribuindo de maneira importante com a redução nas taxas de mortalidade infantil em nosso país.

Entretanto, a vacinação dos adolescentes e adultos, e mesmo das crianças maiores, ainda é uma questão pouco difundida, e há grande desconhecimento da população e mesmo dos profissionais da saúde, sobre a importância da imunização em todas as etapas da vida.

Hoje recomendamos vacinas para todas as idades: crianças, adolescentes, adultos e idosos, e também para situações especiais – portadores de doenças crônicas ou imunocomprometidos, prematuros, viajantes, gestantes e trabalhadores -, tornando a imunização uma realidade em qualquer fase da vida. Hepatites A e B, coqueluche, infecções pelo HPV, sarampo, gripe e meningites são exemplos de doenças evitáveis em adultos.

Ao considerar a questão da vacinação dos adultos é importante lembrar as mudanças no perfil demográfico que o Brasil vem experimentando nas últimas décadas. A redução da mortalidade infantil e da taxa de crescimento associadas com o aumento da expectativa de vida vem determinando um envelhecimento da população brasileira, aumentando a proporção de adultos com mais de 60 anos em relação às crianças e aos adolescentes, tornando esses indivíduos importante foco de atenção à saúde.

Vacinas indicadas para os adultos

Existem algumas vacinas que os adultos já devem ter recebido na infância e eventualmente necessitam de reforços. Outras são mais recentes, não disponíveis há décadas atrás; e há ainda um outro grupo de vacinas que são específicas para a idade adulta. O ideal seria que todo adulto apresentasse sua carteira de vacinação para o médico para que se possa fazer uma avaliação daquelas que precisam ser feitas, mas infelizmente isso raramente ocorre. Poucos são os adultos que tem o documento em mãos e conhecem seu status vacinal.

Devemos lembrar que indivíduos que não conhecem seu histórico vacinal, ou que já tiveram uma determinada doença, podem e devem ser vacinados, mesmo que eventualmente de forma repetida. Não há riscos!

HEPATITE B
A hepatite B pode ser transmitida por via sexual, através de objetos contaminados (alicates de manicure, dentista, podólogos, tatuagens) ou ainda pela via placentária durante a gravidez. Hoje, todas as crianças recebem a vacina ao nascer e adultos não imunizados devem receber três doses da vacina no esquema 0, 1 e 6 meses, a fim de se protegerem contra essa importante infecção. A vacina está disponível gratuitamente nos postos públicos para indivíduos de até 49 anos e para os demais em clínicas privadas. Não há contra indicações para a vacinação, inclusive as grávidas não vacinadas anteriormente, devem receber a vacina durante a gestação. A vacina é segura e raros são os efeitos colaterais.

HEPATITE A
A hepatite A é a mais comum das hepatites, porém menos grave que a hepatite B. Pode ser adquirida pela ingestão de água ou alimentos mal lavados ou cozidos. Surtos da doença podem ocorrer em escolas e ambientes de trabalho.
Alguns adultos podem já ter tido contato prévio com o vírus, mesmo sem adoecer, e já são imunes, não necessitando se vacinar. Um exame simples de sangue pode evidenciar a infecção prévia. Porém, adultos suscetíveis que adquirem a doença, geralmente desenvolvem formas mais graves. Não há recomendação rotineira de avaliação prévia, ou seja, indivíduos que eventualmente já tiveram a doença podem receber a vacina sem restrições. A vacina é aplicada em duas doses, com intervalo de seis meses entre elas. A vacina raramente provoca reações. Há no mercado um produto que combina as duas vacinas contra hepatite (A+B) numa única injeção.

SARAMPO, CAXUMBA e RUBÉOLA
Hoje, os raros casos confirmados dessas doenças acontecem justamente entre adultos não vacinados, já que nossas crianças recebem a vacina durante o segundo ano de vida. Os extensos programas de vacinação foram capazes de eliminar o sarampo e a rubéola de nosso País. É considerado protegido contra essas três doenças o indivíduo que recebeu ao menos duas doses da vacina tríplice viral (SCR) na vida. Para aqueles que desconhecem seu passado vacinal, devem ser aplicadas duas doses com intervalo de um mês entre elas. A vacina está disponível gratuitamente na rede pública para indivíduos de até 49 anos. A vacina é segura e eficaz, raramente podem provocar febre baixa, e mal estar e está contra indicada para grávidas.

DIFTERIA, TÉTANO E COQUELUCHE (dupla e tríplice bacteriana)
Difteria, tétano e coqueluche são doenças muito bem controladas pelo uso em larga escala de vacinas. Porém, elas não são capazes de manter o indivíduo protegido pelo resto da vida, e uma dose de reforço a cada dez anos é necessária após o esquema básico na infância de três doses. Se houver algum ferimento contaminado de risco para o tétano e o indivíduo não estiver adequadamente protegido, é necessária a aplicação de uma imunoglobulina que atua imediatamente. A coqueluche vem reaparecendo em todo o mundo, especialmente entre adultos, que não desenvolvem formas graves da doença. Porém, os adultos costumam ser a principal fonte de contaminação e transmissão da doença para bebês pequenos, e estes sim, podem desenvolver doença mais grave. A imunização de adolescentes e adultos que convivem com crianças é fundamental para a redução de caso graves. Existem duas vacinas licenciadas: uma dupla, protegendo contra a difteria e o tétano, e outra tríplice que inclui também a coqueluche. Esta última está disponível somente em clínicas privadas. Gestantes devem receber a vacina tríplice após a 20ª semana de gestação com o objetivo de prevenir a doença nela e no bebê, através da passagem de anticorpos pela placenta. A vacina é segura e muito bem tolerada. Dor no local da aplicação pode ocorrer.

VARICELA (CATAPORA)
A maioria dos adultos já apresenta imunidade contra a catapora, porém aqueles que não tiveram a doença, se a adquirem na vida adulta, costumam apresentar complicações mais sérias. A vacina está indicada para todos aqueles que não tiveram a catapora, num esquema de duas doses com um intervalo de três meses entre elas. Por se tratar de uma vacina feita com vírus vivos, não deve ser utilizada durante a gestação. A vacina é segura e eficaz, raramente provocando efeitos como febre, mal estar e dor no local da aplicação.

INFLUENZA (GRIPE)
Fortemente indicada para idosos, profissionais da saúde, gestantes e portadores de alguma doença crônica, a vacina contra gripe tem sido recomendada para qualquer indivíduo. Por se tratar de uma vacina inativada, ou seja, feita somente com fragmentos mortos do vírus, não há possibilidade da mesma causar doença no vacinado. A vacina deve ser aplicada anualmente, pois há uma constante variação dos tipos de vírus em cada inverno, e as vacinas devem ser adaptadas. Extremamente segura deve ser aplicada preferencialmente no outono, antes do início da estação.

HPV
O Papiloma Vírus Humano (HPV) está intimamente relacionado com o aparecimento de diversos tipos de câncer: colo de útero, vagina, ânus, boca, pênis e outros. Alguns tipos também causem verrugas nos genitais, muitas vezes de difícil tratamento. Duas vacinas estão licenciadas no Brasil: uma contendo dois tipos (16 e 18) relacionados ao câncer de colo uterino, destinada a meninas e mulheres a partir dos nove anos de idade, sem idade máxima de aplicação; e outra, que contém além dos tipos 16 e 18, os tipos 6 e 11, que dão origem às verrugas genitais. Esta última pode também ser aplicada em meninos e homens. A faixa etária para uso da vacina quadrivalente é de 9 a 26 anos de idade. O ideal é sempre vacinar meninas e meninos antes do início da vida sexual e da exposição ao vírus, porém adultos não vacinados anteriormente, mesmo que já tiveram alguma infecção pelo HPV devem ser vacinados, a fim de proteger contra futuras infecções. O esquema de doses para ambas as vacinas é o mesmo: primeira dose, um a dois meses aplica-se a segunda e seis meses após a primeira aplica-se a terceira dose. A vacina é bem tolerada, com raros efeitos colaterais leves e transitórios e não deve ser aplicada durante a gestação.

FEBRE AMARELA
Não há recomendação universal para a vacinação, que fica reservada para locais onde a doença ocorre, ou ainda para indivíduos que se deslocarão para essas regiões. Como as áreas de indicação podem variar, é sempre aconselhável consultar as autoridades sanitárias sobre a necessidade de vacinação numa determinada região. É recomendada uma dose de reforço a cada 10 anos, e o documento vacinal pode ser solicitado por ocasião de viagens ao exterior. A vacina não deve ser aplicada em gestantes e em mulheres que amamentam bebês menores de seis meses de vida.

PNEUMOCOCO
Tal como a vacinação contra a influenza, a vacina contra o pneumococo deve ser oferecida a todas as pessoas com idade acima de 60 anos de maneira rotineira, e também para aqueles com alguma doença crônica. Hoje, dispomos de duas vacinas contra o pneumococo: uma chamada de conjugada, que estimula uma robusta resposta imune e contempla 13 dos principais tipos da bactéria; outra, não conjugada, porém contendo 23 tipos. A recomendação atual é iniciar o esquema com a vacina conjugada e após dois meses aplicar uma dose da não conjugada, a fim de ampliar a proteção contra essas infecções. Uma segunda dose da vacina não conjugada deve ser aplicada após cinco anos. Indivíduos com doenças crônicas devem receber o mesmo esquema vacinal que os maiores de 60 anos de idade. Ambas são bem toleradas e têm poucas contra indicações. Gravidez e amamentação não devem ser obstáculos à vacinação.

OUTRAS VACINAS
Em algumas situações de surtos ou viagens, algumas vacinas podem ser recomendadas, como a meningocócica e a poliomielite.

PROTEÇÃO INDIRETA
Adultos que convivem com crianças, recém nascidos, ou com pessoas com comprometimento do seu sistema imune, devem receber vacinas a fim de não transmitir doenças para esses grupos de risco: coqueluche, gripe, catapora, SCR e hepatite são exemplos.

VACINAÇÃO DO TRABALHADOR
Dependendo da ocupação profissional, o adulto pode estar exposto a um maior risco de desenvolver algumas doenças. Assim, profissionais da saúde, da educação, da construção civil, coletores de lixo, aqueles que lidam animais ou alimentos, e outros, devem receber imunização específica para a sua proteção.

VACINAÇÃO DO VIAJANTE
Uma viagem pode representar riscos de adoecimento, muitas vezes por doenças preveníveis pela vacinação. Dependendo do tipo de viagem, destino, tempo de permanência e principalmente de acordo com a idade e condições de saúde do viajante, algumas vacinas podem ser necessárias.

No site da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) – www.sbim.org.br – você pode encontrar o calendário de vacinação do homem, da mulher, da gestante, do idoso e o calendário ocupacional.

Consulte os calendários, converse com seu médico e lembre-se: prevenir é sempre o melhor remédio!

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Relator:
Dr. Renato de Ávila Kfouri
Departamento Científico de Infectologia da SPSP

Publicado em 22/01/2014.
photo credit: | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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