Proteção solar para os pequenos: quando começar e o que usar

O verão está chegando e, nessa época, surgem muitas dúvidas sobre a utilização dos fotoprotetores nos bebês e nas crianças

Por Silmara Cestari para o site Saúde

Não há dúvidas de que a exposição solar moderada é benéfica e desejável para as crianças. Já a exposição excessiva, como as evidências comprovam, é prejudicial e, por isso, deve ser evitada. A pele da criança, principalmente até os 2 anos de idade, não está totalmente desenvolvida. Ela é mais fina que a do adulto, produz menos melanina e, portanto, é bastante vulnerável aos raios ultravioleta.

Darrel | Pixabay

Os principais impactos imediatos da exposição excessiva ao sol são a desidratação e a queimadura solar. Porém, os efeitos das radiações ultravioleta na pele também são cumulativos e podem causar prejuízo à saúde em longo prazo. As radiações ultravioleta A e B são as grandes responsáveis pelas queimaduras, pelo envelhecimento precoce da pele e pelo aparecimento do câncer cutâneo. Mas tudo isso pode ser evitado com o uso dos filtros solares, que têm eficácia comprovada em um grande número de estudos científicos.

Até os seia meses de vida esses produtos não devem ser aplicados nos bebês. O U.S. Food and Drug Administration (FDA), órgão que regula os remédios nos Estados Unidos, não recomenda a utilização de filtros solares durante os primeiros 6 meses de vida, quando a pele ainda é muito fina e imatura. Isso porque existe a possibilidade de maior absorção das substâncias químicas presentes nos filtros solares, o que poderia ocasionar problemas sistêmicos. Portanto, evitar a superexposição e usar roupas adequadas com fotoproteção é da maior importância nessa faixa etária.

Veja abaixo, as principais recomendações ao expor bebês e crianças ao sol.

Até o 6º mês de vida

+ Evitar exposição solar das 10 às 16 horas, quando 60% da radiação ultravioleta B chega à superfície terrestre. Só essa precaução já resulta em grande diminuição das alterações agudas e crônicas da pele.

+ Usar vestuário adequado e chapéu com fotoproteção.

Após o 6º mês de vida

+ Usar regularmente o fotoprotetor infantil com FPS 30 ou superior.

+ Evitar exposição solar das 10 às 16 horas.

+ Além do protetor, usar vestuário adequado e chapéu quando a exposição ocorrer nesse período entre 10 e 16 horas.

+ Lembrar que a radiação ultravioleta também atinge a pele em dia nublado e embaixo do guarda-sol.

+ Areia, neve, concreto e água podem refletir mais de 85% dos raios lesivos à pele.

Como utilizar o protetor solar

+ O fotoprotetor deve ser apropriado para uso na infância. Os produtos para adultos possuem muito mais substâncias químicas – e elas podem ser prejudiciais à criança.

+ A aplicação deve ocorrer, no mínimo, 30 minutos antes da exposição ao sol para permitir que os ingredientes ativos atuem nas camadas superficiais da pele.

+ É preciso repassar o protetor a cada duas horas devido à transpiração e também sempre que a criança entrar na água.

+ Toda superfície corpórea exposta ao sol precisa ser protegida. Não se esqueça de pescoço, pavilhão auricular, além do dorso das mãos e dos pés.

+ Fotoprotetores labiais também devem ser aplicados frequentemente.

+ A quantidade de fotoprotetor adequada é de aproximadamente 2,5 ml para face, pescoço, ombro e braço e 5 ml para perna e dorso do pé. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a quantidade de protetor solar indicada para cada parte do corpo é: uma colher de chá do produto no rosto, no pescoço e na cabeça. Uma colher de chá para a parte da frente do tronco e outra para a parte de trás. Quando aplicado em quantidade insuficiente, o produto não promove proteção adequada.

+ É recomendado ensinar a importância da fotoproteção para as crianças, pois hábitos adquiridos na infância são mais facilmente assimilados e incorporados por toda a vida.

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Texto produzido pela Dra. Silmara Cestari para o site SAÚDE.
Link original: https://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/protecao-solar-para-os-pequenos-quando-comecar-e-o-que-usar/

Silmara Cestari é presidente do Departamento Científico de Dermatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

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Publicado em 13/12/2018.

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