Por que ampliar a vacinação contra influenza em crianças?

??????????????????????????????????????????????????????????????????????No Brasil, a vacinação contra influenza foi introduzida em 1999, inicialmente, sendo recomendada para idosos e grupos de risco, sendo raramente utilizada em crianças devido à escassez de dados sobre o impacto da doença na faixa etária pediátrica no nosso país, apesar de inúmeras publicações demonstrarem que a vacina era segura e efetiva.

Depois da pandemia, ficou claro o alto risco associado à cepa A(H1N1) pdm09, não apenas para os grupos de risco, mas também para gestantes, crianças e adolescentes, sendo a vacina monovalente amplamente distribuída para esses grupos na campanha de 2010. Desde 2011, crianças de 6 a 24 meses, gestantes e puérperas foram incluídas nos grupos alvo da vacinação no Brasil e, em 2012, a Organização Mundial de Saúde colocou as gestantes como prioridade máxima para receber a vacina, considerando os benefícios à mãe e ao bebê. Outros grupos de risco, como idosos, crianças menores de cinco anos, profissionais de saúde, puérperas, obesos, indígenas, pessoas privadas de liberdade e portadores de comorbidades são listados em seguida, sem ordem de preferência. Em abril de 2014, foi anunciada a extensão da vacinação para crianças de 6 a 60 meses no Brasil, uma medida já preconizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, que agora torna viável a vacinação sem custo para todas as crianças de 6 a 60 meses na rede pública.

Diversos motivos justificam a ampliação da vacinação de crianças até cinco anos de idade, dentre eles, destacam-se:

  1. Crianças são mais infectadas e excretam os vírus influenza por tempo mais prolongado do que adultos;
  2. Crianças menores de cinco anos apresentam taxas de hospitalização tão altas quando idosos sem comorbidades;
  3. Crianças doentes são levadas à consulta médica com maior frequência do que adultos, apresentam com maior frequência febre, otite média e pneumonia, sendo frequentemente tratadas com antibióticos;
  4. Durante as epidemias de influenza o número de consultas médicas aumenta entre 30 e 50% e os atendimentos na emergência, entre 50-100%, gerando sobrecarga nos serviços ambulatoriais e hospitalares;
  5. Ao contrário dos adultos, a maioria das crianças menores de cinco anos que desenvolve complicações pós-influenza não apresenta qualquer doença de base;
  6. Medidas não-farmacêuticas, como uso de máscaras e higiene, e o uso de antivirais, podem reduzir a transmissão da influenza; entretanto, a efetividade desses recursos para controlar a disseminação dos vírus é variável e existem enormes dificuldades para sua implementação em tempo hábil, considerando-se que a excreção dos vírus tem início antes do aparecimento dos sintomas e que as crianças pequenas ainda não tem maturidade suficiente para seguir rigorosamente as normas de higiene;
  7. A vacinação de crianças gera economia, principalmente se forem considerados os custos decorrentes do absenteísmo dos pais ao trabalho para cuidar das crianças doentes e os benefícios da proteção indireta (herd protection), pois cada pessoa vacinada deixa de se infectar e de transmitir o vírus na comunidade;
  8. A vacinação de crianças reduz o absenteísmo entre escolares vacinados e seus colegas e professores não vacinados, assim como o uso de antibióticos;
  9. Frequentemente, as crianças têm contato com outros grupos de risco, como gestantes, irmãos menores de dois anos e avós, que apresentam menor resposta à vacina, em comparação com a observada em adultos;
  10. Modelos que avaliam o impacto da vacinação em massa demonstram que a vacinação de crianças é mais efetiva em reduzir o impacto da doença na comunidade do que a vacinação de grupos de risco.

Os membros do Departamento de Pediatria Ambulatorial endossam esta medida, divulgando informações atualizadas sobre os riscos da influenza e benefícios da vacinação.

___
Relatora:
Dra. Lucia F Bricks
Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP.

Publicado em 14/04/2014.
photo credit: Fredleonero | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

Author: SPSP

Share This Post On