Momento Saúde: saúde oral

Um sorriso saudável é, sem dúvida, um meio para as crianças começarem a formar relacionamentos e a sua autoestima. Porém nem sempre elas podem sorrir como gostariam, devido a problemas bucais que as colocam em desvantagem psicológica e social. A saúde bucal atualmente é também avaliada sob a reflexão da qualidade de vida, investigando não somente se a criança tem ou não alguma doença e sua gravidade, mas como estes problemas impactam nas suas atividades diárias, como por exemplo, dificuldades para comer, beber, falar, brincar, dormir, sorrir, frequentar a escola e seu relacionamento com os outros. Por isso, tendo em mente a importância da saúde oral para a qualidade de vida, o Momento Saúde desse mês traz dicas de hábitos saudáveis para a saúde bucal.

Aleitamento Materno: benefícios para a saúde oral

O aleitamento materno, além de alimentar o bebê, auxilia no desenvolvimento das funções orais e no crescimento adequado dos maxilares, prevenindo os dentes tortos (oclusopatias).

Sua prática também pode:
• favorecer o crescimento do complexo craniofacial e treinamento da musculatura bucal;
• auxiliar na realização adequada das funções de respiração e deglutição;
• reduzir as chances de adquirir hábitos nocivos e sucção não nutritiva (chupeta e mamadeira);
• melhorar a qualidade dos tecidos dentários e reduzir a prevalência dos defeitos de desenvolvimento do esmalte;
• diminuir o risco de cárie, evitando a introdução precoce do açúcar na dieta da criança.

Vale ressaltar que o aleitamento materno também prepara a musculatura da boca para a mastigação, uma vez que promove um adequado equilíbrio neuromuscular. Os movimentos de sucção e ordenha realizados pelo bebê para extrair o leite da mama exigem coordenação muscular e respiratória, que estimulam o desenvolvimento da face assim como a região das Articulações Temporomandibulares (ATMs). Com este treino, os músculos ganham força e potência necessárias para executar a função mastigatória de maneira mais adequada.

Controle e cuidados na utilização do açúcar

O açúcar ainda é considerado um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento da cárie dental, sendo recomendável sua restrição desde o nascimento até os dois anos de idade.

É importante entender que além de doces, balas ou chocolates, a criança pode estar exposta ao açúcar de outras formas. Ele pode estar presente em altas quantidades em diversos alimentos que são oferecidos ao bebê diariamente. Os salgadinhos e bolachas, mesmo não recomendáveis, são muito consumidos pelas crianças abaixo de dois anos no Brasil. Eles são mordiscados por um longo período de tempo e podem causar cárie (cariogenicidade) porque, ao ficarem retidos nos dentes, vão fermentar e produzir ácidos que descalcificam os dentes, levando a cárie. Os cereais são opções saudáveis, porém se estiverem caramelizados ou cobertos com açúcar, também podem ser causadores de cáries.

Além disso, a maioria dos sucos processados, extratos de soja e refrigerantes contém acidulante e são muito açucarados. O baixo Ph associado ao açúcar pode ser causador potencial de erosão e desenvolvimento de cárie.

Assim, as melhores opções são frutas, legumes e verduras. É recomendável evitar alimentos processados e sempre escovar os dentes quando o açúcar for inevitável.

Higiene oral

A cárie dentária pode ser prevenida?
Sim. A cárie dental é uma doença da boca. Para preveni-la, dois fatores são importantes: controlar o consumo de açúcar e a higiene bucal. A cárie pode afetar crianças desde a tenra idade podendo levar a quadro de dor, infecção e diminuição de qualidade de vida.

Quando devo iniciar a escovação dos dentes do meu filho?
A higiene oral com escova e pasta de dente deve começar assim que o primeiro dente de leite aparecer na boca da criança. Utilize escova com cerdas macias e cabeça pequena. A limpeza dos dentes, da gengiva e da língua deve ser feita seguindo as orientações do seu odontopediatra, sempre realizando os movimentos da escova de maneira delicada e sem pressa.

A partir de que idade devo usar pasta de dente com flúor?
É recomendável utilizar pastas com NO MÍNIMO 1.000ppm de flúor, desde o primeiro dente de leite. Em bebês que não sabem cuspir, utilizar quantidade equivalente a um grão de arroz cru e em crianças que sabem cuspir a quantidade equivalente a um grão de ervilha.

Quantas vezes por dia devo escovar os dentes do meu filho?
A escovação deve ser realizada duas a três vezes ao dia, principalmente antes de dormir.

Posso usar fio dental no bebê?
Sim. O fio ou fita dental devem ser usados uma vez ao dia, sempre que a criança apresente dentes juntos ou apinhados (justos).

Mastigação

A mastigação é uma atividade que deve ser aprendida desde cedo. Portanto, é de responsabilidade dos pais e cuidadores ensinar e estimular o consumo de alimentos nutritivos e com consistência adequada para praticá-la. A função da mastigação é basicamente permitir que a criança tenha condições de complementar a sua alimentação além do leite, que será importante para o desenvolvimento físico, mental e dos maxilares. Consiste em preparar os alimentos para serem engolidos e digeridos, para depois serem absorvidos pelo organismo. O treino da mastigação deve ser estimulado oferecendo-se à criança alimentos com diferentes consistências (dura, seca e fibrosa).

Alguns fatores podem produzir um atraso no desenvolvimento desta função, como por exemplo, o uso excessivo de alimentos liquidificados ou pastosos, uso da mamadeira ao invés da colher, pouca exposição a alimentos sólidos manipulados pela própria criança e preferência por alimentos industrializados. Isso sem falar nos hábitos, como o uso de chupeta e a sucção do dedo. Como consequência, observa-se alteração na tonicidade muscular e na posição dos dentes dentro da boca que, por sua vez, corroboram para que a mastigação não seja efetiva.

Por isso, é muito importante que na infância os dentes e gengivas estejam saudáveis e o alimento tenha consistência adequada (dura, seca e fibrosa) para ser mastigado e triturado, proporcionando o estímulo necessário para o crescimento dos ossos maxilares, que deve ocorrer para receber a futura dentição permanente.

collusor | Pixabay

 

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Relator:
Grupo de Trabalho de Saúde Oral da SPSP.

Publicado em 27/12/2017.

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