Infecção pelo HPV e imunização

Beauty 11O câncer de colo de útero é o terceiro mais frequente entre as mulheres brasileiras, ficando atrás somente do câncer de mama e do coloretal. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que 18 mil novos casos sejam diagnosticados por ano em nosso país, infelizmente com alta mortalidade.

A infecção causada por alguns tipos de vírus HPV (papiloma vírus humano) está intimamente relacionada com o aparecimento de lesões precursoras do câncer, que podem evoluir, em estágios mais avançados, para tumores invasivos de colo uterino, de vagina, pênis, ânus e outros tumores de cabeça e pescoço. Portanto, prevenir essas infecções resultará na redução do número de casos de câncer.

Existem outros tipos de HPV causadores de lesões benignas, conhecidas como verrugas genitais, às vezes de difícil tratamento e recorrentes.

Contamos com vacinas eficazes e seguras para a prevenção da infecção e das doenças associadas ao HPV, incorporadas já há alguns anos nos programas de imunização de vários países.

A partir de março deste ano as meninas brasileiras de 11 a 13 anos terão a oportunidade de receber a imunização na rede pública do Brasil. No ano que vem serão vacinadas as meninas de 9 a 11 anos e a partir de 2016 mantida a vacinação para as meninas de 9 anos. Um avanço enorme na prevenção desta doença que anualmente faz mais de 5000 vítimas fatais no nosso País.

A vacinação das meninas no início da puberdade oferece a possibilidade de uma excelente resposta imune, característica deste grupo etário, além de permitir a otimização da proteção da vacina ao administrá-la em uma idade que precede a idade de risco de exposição ao HPV. A vacina contempla quatro dos principais tipos do HPV (quadrivalente) e deverá ser aplicada no esquema de três doses, sendo a segunda dose seis meses após a primeira e a terceira, cinco anos depois.

As milhões de doses já aplicadas em todo o mundo atestam a segurança e a eficácia das vacinas hoje disponíveis. Países como Austrália, Canadá, Estados Unidos, Inglaterra, entre vários outros, já introduziram a vacina em seus programas públicos de imunização e hoje já colhem bons resultados da prevenção. Por exemplo, na Austrália observou-se redução de mais de 90% nos casos de verrugas genitais entre as meninas e mulheres incluídas no programa de vacinação.

Temos absoluta convicção de que a melhor estratégia para diminuir o impacto do câncer de colo de útero é a combinação da prevenção primária (vacina) – forma mais eficiente de evitar a infecção – com a secundária, que detecta as lesões de colo já instaladas (papanicolau), permitindo um tratamento oportuno. O exame preventivo e o uso de preservativos nas relações sexuais não poderão jamais ser abandonados!

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Relatores:
Dra. Silvia R. Marques
Dra. Helena Sato
Dr. Renato Kfouri
Dr. Marco Aurélio Sáfadi
Departamento Científico de Infectologia da SPSP

Publicado em 5/05/2014.
photo credit: Phil Date | Dreamstime Stock Photos

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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