HPV e câncer

O termo HPV vem de “Human Papillomavirus” (Papiloma vírus Humano), que infecta a pele e o revestimento interno de órgãos de mulheres e homens, sendo transmitido pelo contato sexual e, eventualmente, por outras vias como mãos, pele, toalhas, roupas íntimas ou ambientes contaminados, como banheiros e até salas de parto. Existem mais de 100 tipos de HPV conhecidos: os oncogênicos, relacionados aos cânceres e outros relacionados às verrugas genitais, que também são importantes. São reconhecidos vários tipos de câncer relacionados ao HPV: no sexo feminino o câncer de colo de útero, ânus, vagina, vulva, boca e garganta e no sexo masculino o câncer de pênis, ânus, boca e garganta.

Qualquer um pode entrar em contato com HPV. Estudos internacionais mostram que o risco de uma pessoa que tenha atividade sexual contrair HPV é de 50%, portanto, muitos entrarão em contato com o vírus em algum momento da vida. O principal grupo de risco para contrair HPV são os adolescentes, dados estes confirmados em levantamentos feitos pelo Ministério da Saúde, o qual mostrou que adolescentes tem risco três vezes maior de contrair o vírus, o que torna esta faixa etária a população mais vulnerável ao HPV.

Felizmente agora temos um aliado na prevenção e combate a estes tipos de doenças que é a vacina contra o HPV, cujos estudos mundiais mostram ser extremamente eficaz e segura. A vacina já está disponível há alguns anos e, a partir de 2014, foi incluída no calendário vacinal brasileiro. A vacina está indicada para a faixa entre 9 e 26 anos de idade, tanto para meninas como para meninos. A vacina disponível na rede pública é a Quadrivalente (que contempla os sorotipos relacionados aos cânceres e verrugas genitais) e até o momento está disponível somente para as meninas entre 9 e 13 anos (2014: 11 a 13 anos; 2015: 9 a 11 anos).

O esquema da vacinação recomendado e de três doses (0, 2 e 6 meses). O Ministério da Saúde implantou um esquema alternativo de 0, 6 meses e 5 anos. A eficácia da vacina depende do esquema completo de três doses. O início da campanha foi um sucesso, com ampla cobertura vacinal na primeira dose o que, infelizmente, não está acontecendo com a segunda dose, ou por esquecimento, ou por medo em relação a possíveis efeitos adversos da vacina. Esclarecemos que tal medo não procede, uma vez que vários estudos mostram a segurança da vacina, que tem raros efeitos adversos comprovados. Recentemente, foram veiculados pela mídia casos de possíveis efeitos adversos que ocorreram com meninas na baixada santista. Porém, após exaustiva análise, eles não mostraram relação com a vacina.

Portanto, não deixem de completar o esquema vacinal. A própria Organização Mundial da Saúde ressalta que a vacinação contra HPV é a principal forma de prevenção em jovens de 9 a 13 anos de idade, tanto para meninas como para meninos. Até o momento a vacinação para meninos só está disponível na rede privada, mas é de extrema importância que eles também sejam vacinados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

http://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/hpv/

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Relator:
Carlos A. Landi
Departamento Científico de Adolescência da SPSP.

Publicado em 20/05/2015.
photo credit: Phil Date | Dreamstime Stock Photos

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