Gravidez na adolescência

medium_7161523478A gravidez na adolescência é considerada um problema de saúde em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde se observa, nas últimas três décadas, aumento significativo dos índices de gestação em jovens de todas as classes sociais.

A adolescência é a fase de transição entre a infância e a idade adulta, caracterizada pelas transformações físicas e psicossociais. Nessa fase, os jovens assumem mudanças na imagem corporal, de valores e de estilo de vida, afastando-se dos padrões estabelecidos por seus pais e criando sua própria identidade.

O desenvolvimento da sexualidade faz parte do crescimento do indivíduo em direção a sua identidade adulta. Inicia-se com a exploração do próprio corpo (prática masturbatória) evoluindo para o interesse pelo parceiro.

Modificações do padrão comportamental dos adolescentes no exercício de sua sexualidade vêm exigindo maior atenção dos familiares, profissionais de saúde e educação devido a suas repercussões, entre elas a gravidez precoce.

Fatores de risco
As causas de uma gravidez precoce estão relacionadas com uma série de fatores e comportamentos de risco, entre eles:

  • Contexto sociocultural mais liberal e permissivo que outrora. Pesquisa realizada pela UNESCO junto com o Ministério da Saúde, no ano de 2001, mostra, por exemplo, que na década de 1990, um entre cada quatro adolescentes tinha permissão para manter relações sexuais dentro da própria casa. Em 2001, esse número quase dobrou.
  • Início da puberdade e menarca (primeira menstruação) precoces.
  • Iniciação sexual cada vez mais precoce. Em 2004 o Ministério da Saúde divulgou dados mostrando que a média de idade na primeira relação sexual é de 15.1 anos para as meninas e de 14.4 anos para os meninos.
  • Baixa escolaridade e abandono escolar. Em São Paulo, no ano de 2000, foram registrados 314.000 partos de adolescentes com menos de 4 anos de estudo e 86.000 daquelas com 11 a 14 anos de estudo.
  • Baixa renda. Em 2000 foram registrados em São Paulo 349.000 partos de adolescentes provenientes de famílias com até 2 salários mínimos contra 20.000 daquelas com mais de 15 salários mínimos.
  • Desconhecimento sobre a sexualidade e a saúde reprodutiva.
  • Uso incorreto de anticoncepcionais. Ocorre por diversos fatores, dentre eles a falta de entendimento do seu uso efetivo ou esquecimento.
  • Características próprias da adolescência que, por si mesmas, colaboram na composição de tais números, como o pensamento mágico, ou seja, a sensação de invulnerabilidade e onipotência, a idéia de que isso nunca vai acontecer comigo. Além disso, o adolescente tem uma vivência singular do tempo, caracterizada pela impulsividade e não preocupação com as consequências futuras dos atos realizados aqui e agora.
  • Dificuldades de relacionamento familiar podem levar à gestação precoce, seja por agressão aos pais, baixa autoestima ou falta de perspectivas.
  • Usuários de drogas têm altos índices de gravidez na adolescência.

Como evitar

  • Estimular a auto-estima dos jovens, na tentativa de afastá-los de comportamentos de risco.
  • Estimular a formação de projetos para o futuro.
  • Manter uma boa estrutura familiar, fundamentada no diálogo e afeto.
  • Incentivar a educação e freqüência escolar.
  • Melhorar a qualidade do tempo livre, com estímulo aos esportes e atividades sociais.
  • Dar orientação sexual e reprodutiva.
  • Orientar quanto ao uso correto de anticoncepcionais.

O pai adolescente
O papel do parceiro é fundamental para a boa evolução da gestação, dando apoio à sua parceira e diminuindo os riscos de complicações psicológicas. Além disso, não podemos esquecer que muitos deles são também adolescentes e mostram-se inseguros perante à nova situação. Diante disso, deve-se estimular sua participação no pré-natal.

O que fazer
Diagnosticada a gravidez, deve ser iniciado o seu acompanhamento. O pré-natal ideal para a adolescente é aquele que permite um acompanhamento integral da gestante, onde além da consulta ginecológica ela possa tirar todas as suas dúvidas sobre o momento que está passando. É importante que receba orientações sobre os cuidados consigo mesma e seu bebê e tenha espaço para planejar seu futuro como mãe e adolescente, de forma que possa exercer os dois papéis simultaneamente.

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Relatoras:
Dra. Andrea Hercowitz
Membro do Departamento Científico de Adolescência da SPSP.
Dra. Maria Sylvia de Souza Vitalle
Membro do Departamento Científico de Adolescência da SPSP.

Publicado no site da SPSP em 9/08/2007.
photo credit: martinak15 via photopin cc

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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