Dúvidas sobre amamentação (parte 1)

medium_3467632119Será que tenho leite suficiente?

Muitas maternidades não possuem rotinas que apoiam e protegem o Aleitamento Materno. Desta forma, é muito comum, principalmente nos primeiros dias, a mãe ter a impressão de que seu leite não é suficiente e muitas vezes chegam até complementá-lo com fórmulas lácteas.

É importante que a mãe adquira confiança na sua capacidade de amamentar e entenda que a produção do leite é relacionada com a produção de hormônio prolactina, da pega e da sucção. A ejeção (saída do leite) depende do hormônio ocitocina que é liberado quando a mãe está tranquila e relaxada. A sucção estimula a aréola que desencadeia a produção de prolactina através do estímulo de uma parte do cérebro chamada de hipófise anterior. Isso explica o porquê de quanto mais o bebê suga mais mãe produz leite.

Para que a criança consiga retirar o leite da mama, a pega deve ser adequada, isto é, a criança deve abocanhar boa parte da aréola (parte escura da mama). O peito deve ser colocado na boca quando ela estiver bem aberta, e isso acontece quando se toca o mamilo em cima ou em baixo do lábio.

O sonho de quase todas as mulheres é ter o leite espirrando da mama no momento do nascimento de seus filhos, mas a realidade não é essa, principalmente nos primeiros dias de vida. O primeiro leite produzido se chama colostro, que vem em pequena quantidade, mas é suficiente para garantir a nutrição da criança nos primeiros dias de vida.

Para ter certeza de que o bebê está tirando o leite, a mãe deve observar a bochecha do seu filho, na hora da mamada, que deve ficar redonda. A criança não costuma fazer barulho ao sugar, por outro lado a mãe pode ouvir a deglutição (“gluc”). O bebê apresenta urina clara, sem cheiro, deve urinar pelo menos 6 vezes ao dia e evacuar em quase todas as mamadas, fezes amolecidas e amareladas, depois da primeira semana de vida.

Sugestão de vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=scsAp3CaKfA

Na próxima quarta-feira publicaremos a parte 2.

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Relatoras:
Marisa da Matta Aprile
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP (2013-2016)
Maria José Guardia Mattar
Vice-presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP (2013-2016)

Publicado em 20/11/2013.
photo credit: c r z via photopin cc

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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One Comment

  1. ACREDITO QUE UM GRANDE EMPECILHO PARA MANTER A AMAMENTAÇÃO DA CRIANÇA HOJE É O MERCADO DE TRABALHO. POR LEI, A LICENÇA MATERNIDADE OBRIGATÓRIA É SOMENTE POR QUATRO MESES, INFELIZMENTE. MUITAS EMPRESAS EXIGEM O RETORNO DA MULHER APÓS ESTE PERÍODO, ALGUMAS RETIRAM AS FÉRIAS ANTES DO PARTO (JUSTAMENTE NA FASE FINAL DA GESTAÇÃO QUANDO SE TORNA MAIS CANSATIVA PARA A MULHER); SENDO ASSIM, NÃO CONSEGUE “EMENDAR” 4 MESES DE LICENÇA MATERNIDADE, 1 MÊS DE FÉRIAS E OS 15 DIAS DE AMAMENTAÇÃO, O QUE SOMANDO DARIA 5,5 MESES DE AMAMENTAÇÃO EXCLUSIVA PELO MENOS. INCLUSIVE ALGUMAS EMPRESAS NÃO LIBERAM OS 15 DIAS DE AMAMENTAÇÃO E PREFEREM LIBERARAR A FUNCIONÁRIA 1 HORA ANTES DE SEU HORÁRIO DE SAÍDA HABITUAL, QUE AO MEU VER É MESMA COISA QUE NADA. SOU PEDIATRA/PNEUMOLIGISTA PEDIÁTRICA E ENFATIZO MUITO A IMPORTÂNCIA DA AMAMENTAÇÃO- O QUE TORNA QUASE QUE UM ATO HERÓICO PARA A MÃE DIANTE DESTAS CIRCUNSTÂNCIAS. OUTRA INFORMAÇÃO TAMBÉM ERRONEAMENTE DIVULGADA É QUE A AMAMENTAÇÃO DEVE SER MANTIDA POR 6 MESES E NO MÁXIMO POR 1 ANO, PARA NÃO CRIAR “DEPENDÊNCIA” EMOCIONAL DA CRIANÇA COM A AMAMENTAÇÃO- INCLUSIVE INFORMAÇÕES DIVULGADAS PELOS PRÓPRIOS PEDIATRAS! PUXA, SE A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE PRECONIZA ALEITAMENTO EXCLUSIVO POR 6 MESES E ALEITAMENTO POR 2 ANOS OU MAIS, TAL INFORMÇÃO NÃO COLOCA UM “LIMITE” MÁXIMO PARA AMAMENTAR, O QUE LEVA A MÚLTIPLAS INTERPRETAÇÕES DA AFIRMAÇÃO, E INTERPRETAÇÕES ERRÔNEAS. SEMPRE CITO PARA AS MÃES DOS MEUS PACIENTES O EXEMPLO DAS MÃES DE ANTIGAMENTE QUE AMAMENTAVAM POR MAIS TEMPO, SEM EFEITOS COLATERAIS. E A AMAMENTAÇÃO DE GEMELAR ENTÃO! É UMA OUTRA LONGA HISTÓRIA MUITO MAIS COMPLEXA E AO MESMO TEMPO SIMPLES, SÓ QUE MAL DIVULGADA E MAL DIRECIONADA, INFELIZMENTE. AINDA MAIS HOJE COM O NÚMERO DE PARTOS GEMELARES AUMENTADOS DEVIDO AOS NOVOS MÉTODOS DE FERTILIZAÇÕES. É POSSÍVEL SIM AMAMENTAR GÊMEOS E SIMULTANEAMENTE, O QUE TORNA MAIS FÁCIL COM A PRÁTICA- COM TÉCNICA ADEQUADA. .
    ANA LUCIA XIMENES R. PACHELLI

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