Doar leite materno. Já pensou nisso hoje?

Dênio Simões/Agência BrasíliaE chega maio, mês das mães, mês das noivas e, agora também, o mês da doação de leite humano!

Em 19 de maio de 2005, no 5º Congresso de Bancos de Leite Humano (BLH), o Brasil e outros países da América Latina assinaram a primeira Carta de Brasília. E qual o significado disso? O nosso país criou, através da Fiocruz, tecnologia barata, eficaz, segura e de fácil replicabilidade para o processamento e controle de qualidade do leite humano e exporta essa tecnologia para a maioria dos países da América Latina, África e Europa (Portugal e Espanha), formando a Rede Global de Banco de Leite Humano.

Por isso, o dia 19 de maio é tão importante para a doação de leite humano no mundo.

Dia Mundial da Doação de Leite Materno

No Brasil, essa corrente de solidariedade conta com 220 BLHs espalhados em território nacional. O Estado de São Paulo conta com 57 BLHs (maior Rede Estadual do Brasil). Em 2016 atendemos 26 mil recém-nascidos, em sua maioria prematuros, e o uso do leite humano pasteurizado, no momento em que a mãe do prematuro ou gravemente enfermo está fragilizada com a situação do seu filho, é fundamental para manter esse bebê saudável, evitar complicações da prematuridade e ajudar essa família a superar esta fase que pode ser tão difícil.

Além de trabalhar no processamento e controle de qualidade do leite humano, os BLHs também auxiliam mães e bebês na amamentação, superando dificuldades que possam existir no decorrer do caminho, como bico rachado, peito empedrado, dificuldade de ganho de peso. Se a mãe tiver alguma dificuldade em relação ao aleitamento materno, deve procurar um banco de leite porque lá existe uma equipe especializada em aleitamento, pronta para atendê-la.

Mas o que seria dos BLHs se não houvesse a doadora, essa mulher maravilhosa, que além de cuidar de um bebê (sabemos que não é fácil), ainda arruma tempo para ordenhar e guardar seu precioso leite para outros?

Qualquer mulher saudável, que esteja amamentando seu bebê e perceba que ainda tem mais leite no peito, pode ser doadora. Qualquer volume doado é bem vindo e não existe limite de idade do bebê ou da mãe para ser doadora. O beneficio dessa doação é enorme para o bebê prematuro ou doente, internado na unidade neonatal – progressão mais rápida da dieta, menor risco de infecção, baixa incidência de enterocolite, menor tempo de internação, melhor recuperação -, mas a doadora também se beneficia, com o alívio das mamas evitando ingurgitamento, ducto bloqueado e até mastite.

Além disso, doar mantém a produção que favorece a estocagem de leite para o momento de retorno ao trabalho e garante ao bebê aleitamento materno exclusivo até os seis meses e sua manutenção até dois anos ou mais, acompanhado de alimentação complementar saudável.

Podem acreditar, essa mulher doadora colabora com a criação de um Brasil melhor com crianças cheias de saúde.

Agradecemos às colaboradoras, seus bebês e as equipes dos bancos de leite que tão bem acolhem mães, bebês e famílias.
Viva a doação de leite humano!

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Relatora:
Dra. Andrea Penha Spínola Fernandes

Coordenadora do Centro de Referência de Banco de Leite Humano da Grande São Paulo.

Publicado em 18/05/2017.
photo credit: Dênio Simões | Agência Brasília

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Author: SPSP

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