Depressão entre crianças e adolescentes: quais os sinais?

Nos dias atuais, somos permanentemente impactados por uma demanda infindável de questões, preocupados em cumprir com nossos compromissos, dar conta de nossa agenda. Passamos a viver num ritmo alucinante, no qual muitas vezes não há um olhar privilegiado para algumas demandas nossas e de nossos filhos. Concomitantemente, temos privilegiado uma cultura de permanente felicidade e sucesso, o que não é só impossível, como traz um profundo sentimento de inadequação para todos. Como é possível me sentir triste em um mundo onde todos parecem estar sempre muito felizes? A tristeza é um afeto humano como qualquer outro e precisa ser sentida, respeitada e acolhida. Por outro lado, caso haja impossibilidade do sujeito – seja ele adulto, criança ou adolescente – processar algumas perdas inerentes à vida, a depressão poderá advir.

Destacaremos alguns sinais indicativos da possibilidade de que algo não caminha bem, não excluindo a necessidade de um olhar profissional atento.

Pexels | Pixabay

No bebê

Pode aparecer como indiferença, não apresentar queixas, choros e não demandar nada, pode haver um comportamento monótono, olhar vazio, fixo, desvio do olhar. Deve-se dar especial atenção quando o bebê evita entrar em contato com a mãe, ou com quem mais cuida dele, e em mudanças súbitas da forma como o bebê se relacionava com as pessoas, desaparecimento do choro em bebês de 6 a 8 meses, quando alguém que ele não conhece quer pegá-lo, apresenta maior interesse pelos objetos inanimados do que pelas pessoas. Caso a mãe esteja passando por uma depressão pós-parto o bebê poderá ser afetado, caso eles não contem com ajuda de terceiros.

Na criança

Movimentos mais lentos do que a criança costumava apresentar ou inibição dos movimentos, um rosto pouco expressivo. A criança pode ser descrita como comportada demais, quase indiferente, submissa. Criança que fica por muito tempo sentada quieta e pode aparecer o oposto, momentos de muita agitação.

No adolescente

Nessa fase também é fundamental observar e acompanhar, pois a adolescência é um período difícil para quem o atravessa e para os pais, pois o jovem terá que lidar com várias perdas e modificações em sua identidade. Tais mudanças podem ocasionar sofrimentos e exigem uma nova adaptação. Esse processo é inerente à adolescência, mas dificuldades em processar esta passagem podem vir a deflagrar um quadro depressivo. Irritabilidade, instabilidade, humor deprimido, perda de energia, desmotivação e desinteresse, retardo psicomotor, sentimento de desesperança e/ou culpa, ganho ou perda excessivos de peso em curto intervalo de tempo, alterações do sono, isolamento, baixa autoestima, ideação e comportamento suicida, problemas graves de comportamento, agressividade, prejuízo escolar e queixas físicas.

Este pequeno texto tem a intenção de servir como um lembrete e alerta para a fundamental necessidade de estarmos próximos de nossos filhos, atentos a eles. Também visa alertar para alguns sinais de que algo não vai bem. O fato de observarmos a existência de uma questão que necessita de um cuidado maior pode favorecer sua abordagem, uma vez que nos mobilizamos para uma solução ou melhora da situação e procuramos a ajuda devida.

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Relatores:
Cristiane Geraldo Folino
Fernando Lamano Ferreira

Departamento Científico de Saúde Mental da SPSP.

Publicado em: 25/05/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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