Dengue

A dengue é uma doença febril, causada pelo vírus da dengue, do qual são conhecidos quatro sorotipos e todos cocirculam no Brasil. A doença apresenta comportamento sazonal, ocorrendo entre os meses de outubro a maio, principalmente no verão.

Estima-se 50 milhões de infecções por dengue anualmente no mundo. Em 2016, os dados epidemiológicos sobre a doença no Brasil, segundo o boletim do Ministério da Saúde, somam um total de 1.500.535 casos, dos quais cerca de 10 mil foram graves ou com sinais de alarme e, desses, 629 morreram.

Como acontece a transmissão?
A dengue é transmitida pela picada do mosquito fêmea Aedes aegypti, no ciclo ser humano – mosquito – ser humano. A fêmea do mosquito se alimenta durante o dia, habita locais perto das residências. Não possui autonomia grande de vôo, mas pica várias pessoas durante uma refeição. Uma vez infectado, o mosquito hospeda o vírus por toda a vida, em média 30 a 35 dias, podendo chegar a 70 dias. A fêmea põe ovos de 4 a 6 vezes durante a vida, cerca de 100 de cada vez, em locais com água limpa e parada. O ovo do Aedes aegypti pode sobreviver por até 450 dias (aproximadamente um ano e dois meses), mesmo que o local onde foi depositado fique seco. Se esse recipiente receber água novamente, o ovo volta a ficar ativo, podendo se transformar em larva, posteriormente em pupa e atingir a fase adulta depois de, aproximadamente, dois ou três dias.

Quais são os principais sinais e sintomas da doença?
A infecção por dengue pode ser assintomática, leve ou causar doença grave, levando à morte. Cerca de três a 15 dias após a picada, as pessoas podem apresentar um quadro de febre alta (39° a 40°C), que dura de dois a sete dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele, falta de apetite, náuseas e vômitos.

A dengue na criança, especialmente nas menores de dois anos, apresenta-se como uma síndrome febril inespecífica com apatia, sonolência, irritabilidade, choro persistente, recusa alimentar, vômitos, diarreia ou fezes amolecidas. Nem sempre há erupção (rash) cutânea. Na criança, o início da doença é leve, pode passar despercebido e o quadro grave pode ser a primeira manifestação clínica, geralmente em torno do terceiro dia de doença. O agravamento é súbito, diferente do adulto, no qual os sinais de alarme são mais facilmente detectados.
É muito importante procurar orientação médica ao surgimento dos primeiros sinais e sintomas da doença e evitar a automedicação. Há métodos laboratoriais rápidos que auxiliam na confirmação do diagnóstico.

Qual o tratamento?
Não existe tratamento específico para dengue. Quando aparecerem os sintomas é importante procurar um serviço de saúde mais próximo, fazer repouso e ingerir bastante líquido. A hidratação por via oral ou pela via intravenosa são as medidas prioritárias. É muito importante não tomar medicamentos por conta própria. O ácido acetil salicílico deve ser evitado devido ao risco aumentado de sangramento.

Como se prevenir e quais são as vacinas?
Há vacinas sendo testadas em vários países, inclusive no Brasil, em diferentes fases de desenvolvimento. A única vacina licenciada em todo o mundo, até o momento, é a do laboratório Sanofi Pasteur (Dengvaxia®), que foi aprovada pela Anvisa em 2016 e está licenciada para indivíduos de nove a 45 anos de idade no esquema de três doses: 0, 6 e 12 meses. Está disponível em serviços privados de imunização do Brasil. Consulte seu médico acerca da sua indicação.

As principais medidas que se deve adotar são as PREVENTIVAS para reduzir/acabar a circulação de mosquitos, ou seja, manter o domicílio sempre limpo, eliminando os possíveis criadouros. Lembrar que nas habitações, o adulto do Aedes aegypti é encontrado, normalmente, em paredes, móveis, peças de roupas penduradas e mosquiteiros. Usar roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia, quando os mosquitos são mais ativos, para proporcionar alguma proteção contra as picadas, especialmente durante os surtos. Repelentes compostos por DEET, IR3535 ou Icaridin podem ser aplicados na pele exposta, menos na face ou nas roupas de crianças acima de seis meses. Mesmo assim, as crianças nunca devem dormir com repelente na pele ou nas roupas. Para a redução das picadas por mosquitos em ambientes fechados, recomenda-se o uso de inseticidas domésticos em aerossol, espiral ou vaporizador. O uso dos repelentes e inseticidas deve seguir as instruções do rótulo. Mosquiteiros proporcionam boa proteção para aqueles que dormem durante o dia (por exemplo: bebês, pessoas acamadas e trabalhadores noturnos).

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Relatora:
Dra. Heloisa Helena de Sousa Marques
Departamento Científico de Infectologia da SPSP

Publicado em 10/03/2017.
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Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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