Deficiência de vitamina D vinculada a doenças graves em crianças

medium_2313656881O site português Diário Digital publicou as conclusões de dois estudos publicados na revista Pediatrics: crianças com deficiência de vitamina D são mais propensas a ficar doentes e passar mais tempo internadas do que aquelas que apresentam níveis normais do nutriente. Os estudos foram realizados pela Harvard Medical School (EUA) e pelo Hospital Infantil de Ontário (Canadá). Um deles avaliou a quantidade de vitamina D em cerca de 500 crianças entre 5 e 9 anos de idade internadas na unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Infantil de Boston, durante um período de 12 meses. Segundo a matéria, os pesquisadores descobriram que duas em cada cinco crianças (40%) sofriam de deficiência de vitamina D e que as taxas mais baixas eram relacionadas com a baixa de imunidade e a doenças mais graves. O segundo estudo analisou cerca de 300 crianças e adolescentes, entre 11 e 15 anos de idade, gravemente doentes no Hospital de Ontário, e mostrou que quase 70% dos participantes eram deficientes em vitamina D e as taxas foram associadas com longas estadias na UTI e doenças mais graves. Em ambos os estudos, a deficiência de vitamina D mostrou-se mais comum do que tem sido relatada em crianças e adolescentes saudáveis.

Diário Digital, Portugal, 7 de agosto de 2012
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=586373

Comentário:
Octavio Peracchi
Revisão:
Cássia Maria Passarelli Lupoli Barbosa e Maria Teresa Terreri
Departamento Científico de Reumatologia da SPSP

Vitamina D é o nome comum de um grupo de esteroides cuja função principal é manter o equilíbrio do cálcio e da boa formação óssea através da sua interação com as glândulas paratireoides, os rins e os intestinos. Aproximadamente 90% do total da vitamina D circulante no organismo é originada a partir da sua síntese na pele enquanto os outros 10% são provenientes da dieta.

Nos últimos anos, a descoberta de receptores para a vitamina D em outros órgãos e sistemas, como o sistema imunológico e aparelho cardiovascular, despertou o interesse em estudar seu possível papel e importância em outras funções além das já conhecidas relacionadas ao metabolismo ósseo.

Atualmente, há diversos estudos sobre o papel da vitamina D como estes realizados no Canadá e nos Estados Unidos. Eles observaram que as crianças internadas em unidades de terapia intensiva e que tinham menores concentrações de vitamina D no sangue foram aquelas com maior tempo de internação e com maior gravidade do seu quadro clínico.

Associado a esse panorama, no qual cada vez mais estudos surgem com o interesse de entender melhor essas “novas” funções da vitamina D e o peso delas no funcionamento do organismo, há muita discussão em torno de se fazer sua dosagem e suplementação de rotina fora da faixa que vai do recém-nascido até os dois anos de idade. Isso acontece pelo fato de que vários estudos associam menores concentrações da vitamina D a doenças graves, enquanto outros encontram uma parcela importante da população pediátrica também com baixas concentrações, entretanto sem qualquer problema de saúde associado (discutido em comentário pelo médico americano Frank R. Greer, publicado em outubro de 2009, na revista Pediatrics).

Dessa forma, fica como recomendação geral a suplementação de rotina da vitamina D para as crianças até dois anos de idade e fora dessa faixa etária a sua dosagem e reposição devem ser avaliadas caso a caso pelo pediatra da criança.

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Publicado em 13/12/2013.
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Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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