Cyberbullying: presidente da Sociedade de Pediatra de SP fala dos riscos aos jovens

O que antes era tido como uma brincadeira entre amigos e aceito por pais e professores, transformou-se em um problema de proporções gigantesca. Crianças e adolescentes estão sendo humilhados continuamente nas escolas, nas ruas e, principalmente, no meio virtual – as chamadas redes sociais.

geralt | Pixabay

São vítimas do bullying (palavra em inglês que significa intimidar, amedrontar), quando acontece no colégio, por exemplo, e cyberbullying, quando as agressões são feitas na internet, em e-mails e posts. Segundo pesquisa da ONG Plan, 69% das vítimas do bullying tem entre 12 e 14 anos.

“O bullying é uma forma de agressão física ou psicológica sempre intencional, às vezes repetidamente. Pode ser de uma pessoa ou de várias tendo como vítimas uma pessoa ou diversas e acontece nos mais diversos lugares da comunidade. Nos últimos anos, vimos o nascer do cyberbullying, que passa a existir como ferramenta de agressão nos meios eletrônicos. Na verdade, o bullying é uma prática – infelizmente – secular, embora esse nome tenha surgido na década de 1980”, constata o pediatra e advogado Claudio Barsanti, presidente da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo).

Segundo ele, estudos apontam que essa prática já se transformou na mais comum forma de violência entre crianças e adolescentes. “O bullying e o cyberbullying tornaram-se um problema de saúde pública, pois temos visto até suicídio de adolescentes que foram vítimas desse tipo de agressão”, destaca.

Em geral, as vítimas são aquelas que apresentam alguma diferença com os demais do grupo. Essas diferenças podem ser psicológicas, físicas ou biológicas. São tímidas ou pouco sociáveis e têm baixa autoestima, o que agrava a situação. São incapazes de reagir e não reclamam por medo de ficarem sem acesso à rede. Os agredidos podem desenvolver doenças como angústia, ataques de ansiedade, transtorno do pânico, depressão, anorexia e bulimia.

Com a internet, o bullying passou de restrito a poucos para atingir um público incontável, pois as redes sociais disseminam as agressões de maneira incontrolável e com muita rapidez, além de permanecer nos meios virtuais para sempre. “A principal diferença entre o bulying e o cyberbullying é que no segundo existe a falsa ideia do anonimato, mas ele pode ser caracterizado como crime e os pais dos agressores podem ser responsabilizados”, explica Barsanti.

Já o agressor, ressalta o presidente da SPSP, se sente mais importante e poderoso quando pratica esse tipo de ação. “O agressor tem dificuldade em assumir os problemas e os esconde agindo dessa maneira. Ele é incapaz de dialogar e pode ter sido vítima antes de se tornar um agressor”, informa.

Além da vítima e do agressor, o bullying precisa de um terceiro personagem para sobreviver, o espectador – aquelas pessoas que assistem aos vídeos, leem os posts, riem das vítimas e divulgam as agressões.

Barsanti adverte: “as mensagens podem ser utilizadas em juízo como prova de crime conforme previsto na lei 13.185, de 2015”.

 

___
Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 20/02/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

Author: SPSP

Share This Post On