Cutting ou autolesão: como lidar?

O cutting, ou autolesão não suicida, é um problema grave muito frequente que tem aumentado entre os adolescentes nos últimos tempos, com predominância maior no sexo feminino.

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Entre as razões que levam os adolescentes a praticar a autolesão, o alívio ou punição por uma situação de estresse emocional são bastante comuns. Na maioria das vezes, é indicativo de questões muito mais profundas, como graves dificuldades emocionais na sua vida familiar, social e acadêmica.

Geralmente, o adolescente se corta sozinho, principalmente em casa, no quarto ou banheiro. Muitas vezes o faz escondido dos pais, é negligenciado pelos médicos e os amigos sabem muito mais do que a própria família.

Os cortes de autolesão não suicida apresentam um padrão na adolescência. São cortes lineares, de pouca profundidade, feitos com lâminas ou objetos pontiagudos como giletes, facas, estiletes, lâminas de apontador, tesouras, compassos, clipes ou tachinhas. Pulsos, face anterior dos antebraços e das coxas e abdome são os locais mais comuns de autolesão. Boa parte dos pacientes tende a esconder as lesões, utilizando roupas compridas ou evitando se expor em situações que possam mostrá-las.

Conflitos familiares, perdas de entes queridos, traumas emocionais, violência, bullying e outras situações de estresse podem ser considerados gatilhos para a autolesão. É também frequentemente associada aos quadros psiquiátricos como depressão e ansiedade, assim como transtorno de conduta, transtornos alimentares e TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade.

Os pais devem estar cientes da gravidade do cutting e conversar com o adolescente, abordando a intencionalidade do ato, respeitando-se a sua fala sem menosprezá-lo. Mudanças de comportamento, alterações de humor, agressividade, irritabilidade, isolamento, sentimentos de desesperança, de apatia, incapacidade de resolver problemas do cotidiano, baixo limiar para frustração e perda de rendimento escolar são sinais de alerta aos pais de que o adolescente possa estar passando por situações de estresse e risco de autolesão.

É indispensável que os pais procurem um profissional de saúde para avaliação cuidadosa e acompanhamento especializado. Além do tratamento psicológico, diversos medicamentos têm sido propostos, como antidepressivos.

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Relator:
Dr. Alexandre Hirata

Departamento Científico de Adolescência da SPSP.

Publicado em: 22/05/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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