Campanha Julho Branco: com consciência, sem drogas!

A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) reinicia a campanha Julho Branco: com consciência, sem drogas. Será um mês voltado ao combate ao uso de drogas por crianças e adolescentes. Ativa desde 2016 e de modo perene, o objetivo central da campanha é alertar a população médica e não médica sobre o início precoce do consumo de álcool e drogas. Esse é um tema de grande relevância para a SPSP, que vem trabalhando forte no sentido de colocar em evidência essa problemática.

cuncon | Pixabay

As ações vêm se intensificando desde então. Em novembro de 2016, o presidente da SPSP, Dr. Claudio Barsanti, junto com o coordenador do Grupo de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes, Dr. João Becker Lotufo, e a Dra. Mônica Lopez Vazquez, do Grupo de Direito do Nascituro, das Crianças e dos Adolescentes da SPSP, participaram de uma reunião com o então governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. O foco da reunião foi a possibilidade de aumento do ICMS para bebidas alcoólicas; a proibição da venda em postos de gasolina e perto de escolas; e aumento da fiscalização e punição para quem vende ou oferece para menores de 18 anos. A luta e as sugestões de leis continuaram ativas e, nestes dois últimos anos, o Dr. Lotufo conduziu novas discussões, sempre com o apoio da SPSP.

A SPSP tem promovido também muitos encontros entre pediatras para debater a questão do consumo de álcool entre crianças e adolescentes, além de produzir diversos materiais científicos sobre a temática, tal como o livro “Efeitos do Álcool na Gestantes, no Feto e no Recém-nascido”, coordenado pela Dra. Conceição Aparecida de Mattos Segre e pelo Grupo de Trabalho “Efeitos do Álcool na Gestantes, no Feto e no Recém-nascido” da SPSP.

Dados preocupantes: a experimentação cada vez mais cedo

Os dados realmente preocupam. Segundo o coordenador do Grupo de Combate às Drogas por Crianças e Adolescentes da SPSP, Dr. João Paulo Becker Lotufo, um trabalho desenvolvido no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP) constatou que 25% dos jovens até 17 anos já experimentaram o tabaco, 20% a maconha, 6% o crack e 60% o álcool. “A faixa etária de experimentação vem diminuindo a cada ano. Muitas drogas têm aceitação de muitos pais que desconhecem o poder viciante das drogas e o malefício real que podem acarretar”, comenta Dr. Lotufo.

O especialista alerta ainda que os pais devem estar perto dos filhos e discutir este assunto em cada oportunidade. “As escolas e as igrejas também são muito importantes no processo de conscientização. Alguns trabalhos mostram que tendo discussão do assunto das drogas nas famílias, ocorre uma diminuição em torno de 60% a experimentação do álcool, tabaco, maconha e crack”.

As iniciativas não param! Recentemente Dr. Lotufo apresentou novas ideias e as agregou às sugestões já existentes para a criação de leis que diminuam o acesso dos jovens à bebida alcoólica, inclusive a cerveja. Tal ação conta com o apoio da SPSP e vários outras entidades de grande expressão na área médica. Dentre os pontos considerados pelo Dr. Lotufo:

1. Retirada da propaganda de cerveja da mídia, inclusive as chamadas de “baixos teores” ou de “zero teor” de álcool das 6 às 21 hs;
2. Adendo: restrição a publicidade indireta de cerveja e outras bebidas alcoólicas por atores nos programas de televisão;
3. Afastar pontos de venda na entrada/saída e no entorno de escolas, em um raio de 200 metros;
4. Proibição da venda de bebida alcoólica na rua, em peruas ou carros abertos;
5. Corresponsabilidade de quem vender bebidas alcoólicas para quem já estiver embriagado (multa para o estabelecimento);
6. Proibição de propaganda de bebidas alcoólicas (inclusive cerveja) em competições esportivas e atividades culturais endereçadas ao público jovem e adolescente;
7. Adendo: proibir a venda de bebidas em parques públicos, museus, estádios onde não haja limite de idade para ingresso de jovens e adolescentes;
8. Rotular com advertências de risco à saúde todas as embalagens de bebidas, a exemplo do cigarro;
9. Substituir o termo “beba com moderação”, por “beber traz riscos à saúde”;
10. Criar um Dia Nacional de Consciência dos Riscos do Álcool, de modo que os entes federativos realizem ampla campanha sobre os riscos de beber, especialmente voltada para o público jovem e grávidas;
11. Aumentar os impostos incidente sobre as bebidas alcoólicas em um fundo especial e vinculante, destinado a cobertura dos custos da saúde pública e das vítimas de acidentes de trânsito, no trabalho e de violência doméstica;
12. Proibir que os estabelecimentos coloquem as bebidas próximas a sorvetes, doces, balas e guloseimas em geral.

A SPSP continua acompanhando os desdobramentos dessas iniciativas e preparou outras ações para a campanha Julho Branco: com consciência, sem drogas. “Discutir de modo contínuo, com a avaliação de dados e trabalhos, alertando para o problema, com a apresentação dos números e estatísticas que, infelizmente, se apresentam cada vez mais alarmantes, é fundamental para que se busque soluções para tão grave problema. Além de oferecer sugestões e caminhos, é uma obrigação da SPSP, dos pediatras e de todos os cidadãos de diferentes segmentos da sociedade estarem atentos e ativos na proposição de medidas eficazes. Nossa campanha busca caminhos e parceiros para que, juntos, tenhamos sucesso efetivo na diminuição do uso de drogas na infância e adolescência”, disse Dr. Claudio Barsanti, presidente da SPSP.

julho branco

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Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 3/07/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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