Amamentação é a base da vida – Dra. Lélia Gouvea

Decidi pelo aleitamento materno no 4º ano da Faculdade de Medicina. Sempre soube que faria Pediatria e, na aula de alimentação, o professor discorreu sobre a superioridade do leite humano e que tentássemos, ao máximo, incentivar as mães a amamentar. E prosseguiu a aula falando de como usar fórmulas para as que não conseguissem.

À tarde, no ambulatório, orientei as mães sobre a superioridade do leite humano e fui bombardeada por perguntas de como amamentar. Saí de lá direto para a biblioteca. Vendo as dúvidas das mães, comecei a estudar tudo sobre o tema, sozinha.

E assim se iniciou a minha trajetória natural no aleitamento materno. Durante o primeiro ano de residência (R1), dava aulas para serviços de Pediatria; no R2, comecei a participar do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo; em 1981 inauguramos a Liga de Puericultura na Universidade e assumi sua coordenação, em 1984; fiz pós-graduação sobre o tema e participei de eventos sociais de promoção à amamentação, sempre focados na melhoria da saúde da dupla mãe-filho.

Fui mãe já com embasamento e experiência em auxiliar outras mães e criei o ambulatório de Aleitamento Materno na Universidade. Tanto na Universidade, como no serviço público, dei aula para os funcionários – médicos, equipe de enfermagem, nutrição e os que orientavam as mães da Prefeitura de SP, grávida do meu primeiro filho. Recentemente, até encontrei uma professora de enfermagem que me falou como se lembrava daquela aula.

Amamentei meus dois filhos sem problemas, ambos por mais de um ano, com desmame natural e espontâneo, sem nenhuma dificuldade. Tive quatro meses de licença, duas semanas de prorrogação mais um mês de férias, que tirei no fim da prorrogação e consegui ficar cinco meses e meio só com eles, que mamaram exclusivamente até o sexto mês!

Minha rotina era amamentar ao sair de casa, deixar o leite que eu extraía para que minha mãe, das 8 da manhã às 12h, oferecesse a eles uma vez no meio da manhã (aquecido em banho-maria desligado), no copinho, que ela aprendeu muito bem a usar. Voltava do trabalho às 12h00 para amamentar e ficar com eles. Com a introdução da alimentação complementar, depois do sexto mês, mudou a rotina e mamavam de manhã, quando voltava para almoçar e à noite. Nenhum usou chupeta ou sugou dedo.

Destaco que, para o aleitamento materno ter sucesso, precisamos receber boas informações científicas para entendermos o porquê e como amamentar, mas o incentivo e apoio são também muito importantes. O apoio de minha mãe foi fundamental para prosseguir com a vida profissional e não deixar de seguir as recomendações tão relevantes para o investimento na saúde deles.

Ser mãe me deu a preciosa oportunidade de colocar em prática, avaliar toda a teoria que aprendi e ver as vantagens desta ou daquela recomendação. Foram excelentes as experiências da maternidade e a felicidade em amamentar.

Dra. Lelia Cardamone Gouvea
Pediatra do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP.

agosto dourado

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Publicado em 15/08/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Author: SPSP

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