Amamentação é a base da vida – Dra. Giselle Okada

Sou pediatra há 18 anos. Minha experiência com a amamentação começou em 2006 (29 anos), casada há um ano com médico ginecologista-obstetra e recém-concursada como assistente da Neonatologia do Hospital Universitário – USP. Tinha um ritmo de vida acelerado, com jornadas de 2 a 3 plantões semanais e atendimento a prematuros em UTI.

Gestação programada para o final do ano, parei o anticoncepcional e no mês seguinte engravidei! Repeti o teste duas vezes! Pensava se daria conta de tudo… Trabalho, casa, plantões, marido e uma filha.

Na semana do Curso de Método Canguru no HU, após dois plantões noturnos, no início da noite, em casa, minha bolsa estourou. Meu marido estava comigo. Era líquido amniótico… Na 19ª semana.

Uma série de acontecimentos culminaram com o milagre da vida da Ana Cecília. Repouso absoluto, praticamente internação domiciliar, exames semanais. Percebi que era um aviso para diminuir o ritmo, pois dali para frente não conseguiria ter controle sobre tudo que achava que controlava.

Ana cresceu, se desenvolveu, com 37 semanas saí do repouso e entrei em trabalho de parto no mesmo dia! Na sala, a avó paterna (obstetra) conduziu o parto; meu marido ao meu lado; a anestesista era mãe de um amigo de colégio; a neonatologista, uma amiga muito querida e a enfermeira, amiga da minha sogra. Coincidência??

Tudo conspirou para que fosse um momento incrível e Ana viesse direto para meu colo. A luz da sala de parto foi desligada, apenas foco cirúrgico aceso, e então ela abriu os olhos! Foi amor à primeira vista!

Dali fomos juntas para o quarto e a amamentação foi apenas a continuação de uma relação de muito amor e confiança. Não foi fácil, mas foi muito gratificante vê-la crescendo. Não dormir bem e amamentar sob livre-demanda compensava muito ao vê-la dormindo em meus braços após ficar totalmente saciada. Às vezes, na madrugada, ficava com Ana em meu colo, olhando a lua pela janela, ouvindo música ou consolando-a quando o choro era persistente. Meu marido revezava no cuidado com muito amor e tranquilidade. Hoje, Ana Cecilia tem quase 12 anos, é saudável, excelente aluna e tenho certeza que nossa relação é reflexo deste amor incondicional desde o início.

Depois de cinco anos veio Pedro e minha experiência foi melhor ainda. Pude curtir a gestação, também amamentei logo que ele nasceu e desfrutei da licença maternidade de seis meses! Pedro era mais voraz, intervalos entre mamadas eram menores e ao final do dia estava esgotada. Confesso que ficou mais conturbado com o segundo filho. Enquanto Pedro dormia, muitas vezes eu não podia descansar, pois dava atenção a Ana. Pedro cresceu rapidamente, hoje é um menino saudável, ótimo aluno e segue os passos da irmã.

No Hospital Universitário da USP me envolvi cada vez mais com o Banco de Leite, Hospital Iniciativa Amigo da Criança e os cuidados com o bebê prematuro. Gosto muito de trabalhar na Unidade de Neonatologia, pois é o início do processo. Sou grata por poder auxiliar mães na amamentação, o que, além da saúde do bebê, representa um ato de amor e entrega: a base da vida dos nossos filhos.

Dra. Giselle Garcia Origo Okada
Esposa de Marcio Okada, mãe da Ana Cecília (11 anos) e Pedro (6 anos).
Pediatra do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP.

agosto dourado

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Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Author: SPSP

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