Amamentação é a base da vida – Dr. Hamilton Robledo

Minha história com aleitamento materno começa no ano de 1985. Como residente do 2° ano participei do meu 1° Congresso Brasileiro de Pediatria, realizado em Fortaleza. Durante a residência de Pediatria e minha passagem pelo berçário do extinto Hospital Matarazzo, questionei ao então chefe do setor a pouca orientação que dávamos à mamãe sobre amamentação.

Então fui convidado pelo professor José Martins Filho a frequentar as reuniões do então Comitê de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), mas era preciso que o Hospital Matarazzo fizesse a indicação.

Ao retornar de Fortaleza cheio de ideias, procurei a chefia do serviço e expus o que pretendia realizar: começaríamos com uma visita melhor aos quartos, orientando e incentivando a amamentação, ouvindo as dúvidas das mães, observando a mamada. Faríamos uma cartilha contendo as principais dúvidas e diminuiríamos a quantidade de mamadeiras no berçário, pois quase todas recebiam complementação com 30mL de fórmula após retornarem dos quartos, como rotina. Essa foi a parte mais difícil e ouvi uma frase que escuto até hoje: “Não abro mão da complementação, pois não colocarei em risco a saúde das crianças”.

O assunto acabou ficando somente em conversas. Em maio de 1986 fui convidado a assumir o berçário do Hospital São Camilo Santana e ele tinha estágio reconhecido em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Assim, foi feita minha indicação ao Comitê de Aleitamento Materno da SPSP e, no dia 17 de agosto de 1986, participei da minha primeira reunião com o grupo, momento em que conheci a professora Lélia Cardamone Gouveia.

As reuniões eram muito produtivas. No São Camilo, criei um grupo de incentivo à amamentação e passamos a orientar as mamães na maternidade e na alta fazíamos o grupo de dúvidas.

Em 1991 criei o Curso de Orientação a Gestantes, no período noturno, onde abordávamos todos os assuntos de interesse da mãe, até 2013, quando infelizmente o Hospital São Camilo encerrou suas atividades como maternidade.

Na SPSP há 32 anos, já fui vice-presidente do Departamento de Aleitamento Materno por  três vezes, sendo uma vez presidente. E já passamos por desafios, como ficarmos somente com três membros (Dra. Lélia, Dr. Hugo e eu), sermos “extintos” e agregados ao Departamento de Nutrição, onde devo ressaltar a importância do professor Fernando José de Nobrega. Durante uma reunião, ele comentou que trabalhávamos mais que seu departamento e ocupávamos muito tempo da discussão, tamanha era nossa dedicação. Ele foi, pessoalmente, à presidência da SPSP solicitar que voltássemos a ser um Departamento.

Vejo nosso Departamento muito atuante, com profissionais dedicados e empenhados em prol da defesa, manutenção e incentivo ao aleitamento materno.

Dr. Hamilton Robledo
Avô de Leonardo, João Lucca e Maria Fernanda (amamentados até 1 ano) e Bernardo (ainda mamando com 2 anos e 2 meses) com filhas e filhos criados na importância da amamentação.
Pediatra e atual vice-presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP.

agosto dourado

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Publicado em: 6/08/2018

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Author: SPSP

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