Aluna de 13 anos sofre assédio sexual na escola

????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????O jornal Folha de São Paulo publicou matéria sobre uma garota do oitavo ano de uma escola particular tradicional de São Paulo, com 13 anos de idade, que disse ter sido assediada sexualmente por três garotos do nono ano, todos com 14 anos de idade. De acordo com o artigo, a menina recebeu uma mensagem falsa em seu celular, em nome de um amigo, marcando um encontro para depois da aula. Ao chegar no local, uma praça perto do colégio, a garota conta ter sido cercada e agarrada contra a vontade pelos três garotos, conseguiu se desvencilhar e foi direto à escola fazer a denúncia. A matéria diz que a escola suspendeu os meninos por sete dias e se viu na obrigação de debater o fato.

Folha de São Paulo, 30 de abril de 2013
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/04/1270518-aluna-de-13-anos-de-colegio-particular-denuncia-assedio-sexual-praticado-por-colegas.shtml

Comentários:
Dra Renata D Waksman
Núcleo de Estudos da Violência contra a Criança e o Adolescente da SPSP

O assédio sexual é uma forma de discriminação sexual ilegal que desrespeita o direito de escolha de um dos envolvidos e consiste em avanços sexuais não desejáveis, pedidos de favores sexuais e/ou conduta física ou verbal de natureza sexual. Qualquer situação, como carícias (não precisam ser nos genitais), beijos, exibicionismo, voyeurismo e exposição à pornografia pode ser considerada assédio.

Esta situação é muito frequente na escola. Ocorrem desde comentários maldosos sobre sutiãs (em meninas na fase de início da puberdade), exposição dos genitais (abaixar calça do colega ou mostrar intencionalmente), depreciação da sexualidade, coerção por meio de ameaça, até o jovem ser enganado por uma mensagem falsa, como ocorreu neste caso.

As primeiras noções de educação, colocação de limites e dos valores associados à sexualidade ocorrem no ambiente familiar, através das orientações e comportamento dos pais e vale lembrar que a sexualidade está cada vez mais presente na vida das crianças, chegando pela TV, Internet, pelas relações em casa, colegas, tipo de roupas que está na moda, entre outros.

Os pais devem prestar atenção no comportamento de seu filho, se ocorre mudança sem causa aparente de comportamento, de humor, recusa em ir a escola, estes episódios não podem ser encarados como eventos normais desta fase, nem como rituais normais de passagem. As escolas devem elaborar, divulgar e aplicar uma política contra o assédio sexual. Os estudantes devem ser informados sobre os seus direitos e deve ficar muito claro para eles que é uma ofensa punível e não algo que possa acontecer naturalmente.

E, o mais importante, os jovens devem ser estimulados a falar com os pais e com a escola sobre o assédio, mas que nem sempre estarão preparados para perceber o que está acontecendo e tomar atitudes pontuais. Um caminho é procurar (pais e/ou jovens) apoio na coordenação da escola e, se não for suficiente, o Conselho Tutelar da região de moradia ou a Delegacia de Ensino.

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Publicado em 07/03/2014.
photo credit: Frenk And Danielle Kaufmann | Dreamstime.com

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