Alimentação complementar

O que é alimentação complementar?
Conjunto de outros alimentos, além do leite materno, oferecidos para a criança. Pode ser denominada alimentação de transição e deve ser preparada especialmente para o bebê até que ele possa receber os alimentos consumidos pela família, o que acontece por volta de 10 a 12 meses de idade. Por isso é importante estimular a família a ter uma alimentação saudável.

Quando deve ser iniciada?
A partir dos seis meses de vida. O aleitamento materno pode ser mantido até dois anos. Aos poucos a criança começa a receber maior quantidade e variedade de alimentos complementares. A consistência também muda, no começo é pastosa e, com o passar dos meses, a comida deve ter pedacinhos maiores para o bebê treinar a mastigação.

Qual a sequência de introdução?
Aos 6 meses de vida deve-se iniciar com frutas (amassadas, raspadas ou na forma de suco), na semana seguinte com a primeira papa (almoço ou jantar) e aos 7 meses de idade com a segunda papa.

Esquema de introdução da alimentação complementar:

 Faixa etária  Tipo de alimento
 Até 6 meses  Aleitamento materno exclusivo
 A partir dos 6 meses Fruta (amassada, raspada ou na forma de suco)

Primeira papa (misturas múltiplas)

 A partir dos 7 meses  Segunda papa (misturas múltiplas)
 A partir dos 9 meses  Aumentar a consistência e variedade dos alimentos oferecidos
 Entre 10 e 12 meses  Alimentação da família (orientar práticas saudáveis)

Fonte: Manual de Orientação Departamento de Nutrologia da SBP, 2012.
http://www.sbp.com.br/pdfs/14617a-PDManualNutrologia-Alimentacao.pdf

 

Como preparar a papa principal e quais alimentos utilizar?
Desde o início a papa deve ter vários grupos de alimentos (cereais e tubérculos, leguminosas, hortaliças e carne).

Orientações gerais:
• Separe os alimentos que serão utilizados, descasque e pique em pedaços médios ou grandes, pois eles serão amassados.
• Utilize temperos naturais (salsinha, cebola, alho, cebolinha).
• Não adicione sal e nem refogue os temperos com óleo.
• Cozinhe os alimentos junto com os temperos com a menor quantidade de água possível. Lembre-se que alguns alimentos cozinham antes que os outros, coloque os que demoram mais primeiro.
• Depois que os alimentos estiverem bem macios, coloque-os em um prato e amasse bem com um garfo.
• Depois de amassar os alimentos, coloque duas colheres (bebês de 6-7 meses) e 4 colheres (8-10 meses) de sopa no prato que a criança vai comer. Adicione uma colher das de chá de óleo vegetal (soja ou canola) na papa já separada e misture.
• Você pode preparar a papa para o almoço e jantar. Deixe na geladeira no intervalo das refeições.
• Também é possível congelar em freezer ou geladeira com portas separadas. Prepare as papas, coloque o conteúdo em potes pequenos e leve imediatamente para o congelador. Não esqueça de colocar uma etiqueta no pote com data e horário da preparação (prazo máximo para consumo: 15 a 21 dias).
• Para descongelar, deixe na prateleira da geladeira por 12 horas antes de servir e aqueça em banho-maria ou em panela diretamente no fogo baixo. O que o bebê não comer, despreze e não leve novamente à geladeira ou ao freezer.

Componentes das misturas para a composição das papas:

 Cereal ou tubérculo  Leguminosa  Proteína animal  Hortaliças
Arroz

Milho

Macarrão

Batata

Mandioca

Inhame

Cará

Feijão

Soja

Ervilha

Lentilha

Grão-de-bico

Carne bovina

Vísceras

Frango

Ovos

Peixe

Carne suína

Verduras:

Alface

Espinafre

Couve

Almeirão

Legumes:

Cenoura

Chuchu

Abóbora

Vagem

Fonte: Manual de Orientação Departamento de Nutrologia da SBP, 2012.
http://www.sbp.com.br/pdfs/14617a-PDManualNutrologia-Alimentacao.pdf

 

O que fazer se o bebê não aceita as papas?
Não se preocupe, isso costuma acontece no começo. Quando a criança faz uma careta para o alimento que está provando pela primeira vez, isso não significa que ela não goste, apenas que não conhecia aquele gosto. Os alimentos devem ser oferecidos 8 a 10 vezes, em dias, preparações e texturas diferentes. Essa exposição repetida faz a criança acostumar com o sabor deles.

Atenção:
• Não há benefícios em se introduzir alimentos complementares antes e nem de retardar o início, além do preconizado. A introdução precoce (antes dos 4 meses) ou tardia (após os 7 meses) relaciona-se com maior risco para desenvolvimento de diarreia, alergias, obesidade e pressão alta no futuro.
• As frutas devem ser introduzidas preferencialmente na forma de papas ou amassadas. Se oferecidas na forma de sucos, deve-se respeitar a quantidade máxima de 100 mL/dia.
• A carne, de preferência vermelha, deve ser picada ou desfiada e oferecida todos os dias nas duas papas (almoço e jantar).
• O ovo inteiro (clara e gema) pode ser introduzido, sempre bem cozido, a partir dos seis meses de vida.
• Os peixes, à semelhança de outras carnes, podem ser introduzidos a partir do sexto mês de vida.
• Não refogar os alimentos com óleo na preparação da papa. O óleo vegetal deve ser adicionado ao final da preparação.
• Não acrescente sal ou condimentos industrializados na preparação da papa. O sal só deverá ser adicionado na alimentação da criança a partir de 1 ano de idade, quando passará a receber a alimentação da família.
• Mesmo bebês pequenos controlam o quanto querem comer. Há dias que estão com mais fome e, outros, com menos. Isso é um treino para que ele aprenda a comer a quantidade que precisa ao longo da vida. Não force a criança a comer, se ela não estiver com fome.

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Relatora:
Dra. Fabíola Isabel Suano de Souza

Departamento Científico de Nutrição da SPSP.

Publicado em 19/11/2014.
photo credit: © Bereta | Dreamstime.comBaby Girl Eating Photo

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