A internet como fonte de informação de saúde oral

boy-676122_640A facilidade de acesso à internet, através dos smartphones, deixou a busca por entretenimento e informação muito mais rápida e fácil. No entanto, nesse novo cenário, uma nova questão se coloca: é seguro obter informações de saúde oral na internet? A Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) conversou com o Grupo de Saúde Oral da SPSP sobre o assunto. Veja:

1. O uso de informações disponíveis na internet por pacientes e pela população em geral é bem visto pelos profissionais de odontologia?
Sim, desde que as informações sejam confiáveis e condizentes com os protocolos das principais instituições de classe e órgãos regulatórios da área, como, por exemplo: Conselho Federal de Odontologia (CFO), Conselho Regional de Odontologia (CRO), Associação Brasileira de Odontopediatria (AB-Odontopediatria), Ministério da Saúde (MS), Associação Latinoamericana de Odontopediatria (ALOP) e International Association of Paediatric Dentistry (IAPD), entre outros.

2. Como o Grupo de Saúde Oral enxerga a disponibilidade de diversos materiais em vídeos na internet sobre procedimentos bucais?
O momento atual de produção de conteúdos, facilitado pelos diversos equipamentos e aplicativos disponíveis, leva a uma distribuição de material educacional que pode ser benéfica ou não. Sendo assim, o que há de confiável pode e deve ser seguido e compartilhado (ex: produções acadêmicas, de professores e pesquisadores renomados, de resultados de pesquisas confiáveis), mas o que é embasado em “achômetros” e crendices deve ser descartado, pois não é digno de confiança. Por isso, tudo o que se observa divulgado na internet deve ser checado e confirmado: a população precisa aprender a reconhecer e diferenciar a informação segura da crendice, apresentada com finalidade de marketing pessoal.

3. Quanto a crescente utilização de aplicativos de trocas de mensagem por paciente e seu dentista, é possível afirmar que o isso tem favorecido e fortalecido a relação entre ambos?
Sim, desde que haja uma relação respeitosa e de confiança entre ambas as partes. Além disso, é importante lembrar que diagnóstico e tratamento não podem e não devem ser estabelecidos sem a avaliação clinica.

4. O brasileiro que não tem condições de frequentar um dentista regularmente e/ou que vive em regiões afastadas de grandes centros, pode considerar a internet uma fonte para a prevenção de doenças bucais ou, ao contrário, deve considerar os riscos de se atentar a essas informações?
Ele pode considerar como fonte de informação, desde que a mesma seja segura e oriunda de profissionais e entidades de classe, como dissemos anteriormente. Além disso, cabe ressaltar que, apesar de haver protocolos definidos para cada situação, o ser humano é único e nem sempre um tratamento que deu resultado positivo para um paciente adequa-se a todos os outros, na mesma situação. Por isso, é muito importante que o paciente seja examinado pelo dentista, para que ele tenha um tratamento adequado e individualizado, porque a internet jamais deve substituir a consulta.

5. No que concerne as políticas públicas da promoção de saúde oral no Brasil, existe preocupação com a prevenção ou o foco é no tratamento para os problemas bucais e estéticos?
O foco não é voltado exclusivamente a problemas bucais e estéticos. Existe um grande foco preventivo. Inclusive, o Ministério de Saúde orienta para que as ações de saúde bucal sejam integradas tanto do ponto de vista preventivo como curativo, sempre estimulado os aspectos educativos no que diz respeito ao cuidado com a saúde bucal desde a gestação até a 1ª infância.

6. Sobre a saúde bucal infantil, quais as principais medidas que o governo, os pais, os dentistas, as clínicas e os veículos de informação poderiam tomar em busca de melhorar as práticas de prevenção?
Há diversos programas governamentais importantes, como o Saúde na Escola, por exemplo, que abraça atividades planejadas para que nossas crianças possam compreender a prevenção e o cuidado que devem ter com a saúde bucal. Os diversos cursos de Odontologia também desenvolvem projetos sociais de extremada relevância, pois levam conhecimento e saúde a lugares de baixa renda do País. Por isso, os pais e profissionais, onde quer que estejam inseridos, podem e devem buscar meios de instruir os pequenos para que sua saúde bucal seja cuidada da melhor maneira possível, com informação atualizada e relevante. Hoje existem aplicativos que auxiliam as crianças na higiene oral, mostrando que a atenção nesse momento envolve tempo e dedicação para ser feita da maneira correta. Pais atentos promovem a saúde bucal de seus filhos e preservam seu sorriso pelos seus muitos anos de vida!

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Relator:
Grupo de Saúde Oral da SPSP

Publicado em 6/10/2016.
photo credit: wjgomes | Pixabay.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Author: SPSP

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